Pesquisa em Monte Alegre do Sul mapeia produção de mel na seca
Publicado em 23/05/2026 08h00

Pesquisa em Monte Alegre do Sul mapeia produção de mel na seca

Em maio de 2026, a APTA Regional apresenta pesquisas científicas em São Paulo para avaliar o potencial apícola e proteger as abelhas nativas.
Por: Wisley Torales

O mês de maio concentra datas de grande relevância para a sustentabilidade e a produção de alimentos no território brasileiro, celebrando tanto o Dia Mundial da Abelha quanto o Dia do Apicultor. Diante desse cenário, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da APTA REGIONAL, destaca um conjunto de investigações científicas focadas na preservação e no desenvolvimento econômico desses polinizadores. As ações unem o conhecimento acadêmico às demandas práticas dos produtores rurais.

A atividade apícola ganha espaço como ferramenta de inclusão social e aumento de produtividade nas lavouras paulistas. Embora o país apresente uma rica diversidade de flora no período chuvoso, a estação seca impõe restrições severas devido à escassez de pasto apícola. Para entender essa dinâmica em microrregiões específicas, a Unidade Regional de Pesquisa e Desenvolvimento de Monte Alegre do Sul concentrou esforços em um mapeamento detalhado da capacidade produtiva local.

Destaque: O mapeamento apícola avalia o comportamento das colmeias durante os períodos de estiagem, identificando alternativas nutricionais para manter a produtividade do mel.

Prospecção apícola no Circuito das Águas

Sob a liderança do pesquisador Daniel Gomes, o projeto finalizado recentemente contou com o financiamento da Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (FUNDAG). O trabalho envolveu a instalação de caixas de abelhas da espécie Apis mellifera para avaliar de forma contínua a capacidade de produção de mel na região. Esse território possui forte vocação ecológica e agrícola, mas carecia de dados estatísticos sistematizados sobre o desempenho produtivo dos enxames.

Os resultados gerados ao longo dos 24 meses de vigência da pesquisa servem como base para que os apicultores planejem o calendário de manejo com maior nível de acerto. O entendimento sobre os fluxos de néctar e pólen auxilia na tomada de decisões estratégicas, como a necessidade de alimentação suplementar no inverno. Essa organização diminui a taxa de abandono de colmeias e estabiliza a oferta de mel no mercado regional.

Meliponicultura sustentável em Brotas

Outra linha de atuação que recebe investimentos estruturados foca nas abelhas nativas sem ferrão. Na unidade de Brotas, a pesquisadora Carla Cachoni Pizzolante coordena um projeto de meliponicultura sustentável com vigência estendida até o ano de 2030. A iniciativa foca na criação técnica e no desenvolvimento de programas de capacitação para produtores rurais, transformando a atividade em uma fonte estável de renda alternativa.

O plano atua em consonância com a Política Municipal de Agroecologia e Produção Orgânica de Brotas, integrando a conservação ambiental ao ganho socioeconômico. As famílias participantes recebem treinamento técnico para realizar a extração segura de mel e própolis, além de aprenderem técnicas de multiplicação de enxames para comercialização. A estruturação conta com o suporte de parceiros locais, incluindo a CATI, o Sindicato Rural e a federação FAESP/SENAR-SP.

Parceria Setorial: O projeto em Brotas reúne especialistas da Embrapa Meio Ambiente, do Instituto de Zootecnia (IZ) e consultorias privadas para criar um polo de referência em abelhas nativas.

A capacitação das comunidades rurais estende-se para o ambiente escolar, promovendo ações de educação ambiental com foco nas novas gerações. Os pesquisadores demonstram que a proteção desses insetos melhora o pegamento de frutos em pomares comerciais da região, evidenciando os benefícios mútuos entre a conservação da biodiversidade e a eficiência econômica das fazendas paulistas.

Genética e preservação na Mata Atlântica

A fronteira da ciência aplicada à meliponicultura atinge o nível molecular na unidade da APTA em Piracicaba. A pesquisadora Maria Imaculada Zucchi lidera um estudo financiado pelo CNPq focado na diversidade genética da abelha jataí (Tetragonisca angustula). A pesquisa avalia o comportamento e a adaptação dessas populações em fragmentos de mata nativa e em áreas que passam por processos de restauração ecológica florestal.

A fragmentação da Mata Atlântica decorrente do avanço urbano reduz o território desses polinizadores generalistas. As abelhas da tribo Meliponini desempenham papel estratégico nesse bioma, sendo responsáveis pela polinização de até 90% das espécies vegetais nativas. O monitoramento genético funciona como um indicador biológico preciso sobre a qualidade das matas em processo de recuperação.

Para alcançar esse nível de detalhamento, a equipe científica utiliza marcadores moleculares de polimorfismo único (SNPs), obtidos por meio da técnica de genotipagem por sequenciamento. Esse método mapeia a variabilidade genética das colônias de jataí, demonstrando como a espécie coloniza os novos plantios de árvores. Os dados moleculares gerados pela pesquisa fornecem subsídios para o desenho de corredores ecológicos eficientes no estado.

Os relatórios laboratoriais em Piracicaba indicam que a manutenção da diversidade gênica protege os enxames contra o estresse consanguíneo, criando defesas para a longevidade das populações em áreas isoladas. As amostragens continuam sendo coletadas nos fragmentos florestais paulistas, integrando os resultados parciais aos bancos de dados nacionais de conservação ambiental até o encerramento do cronograma de coletas em dezembro de 2026.