
O mercado de defensivos biológicos no Brasil ganha um reforço de peso na fronteira da ciência aplicada. A Promip oficializou a abertura de seu novo módulo de produção de microbiológicos em sua biofábrica localizada em Engenheiro Coelho (SP). A estrutura, construída em formato modular, foi projetada para expandir drasticamente a escala comercial da empresa e atender a rigorosos protocolos internacionais de manejo de insetos vivos, etapa que antecede a extração do vírus.
A ampliação foca no controle do baculovírus, ferramenta altamente especializada e utilizada no combate à lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), praga que lidera os prejuízos nas lavouras brasileiras de milho, soja e algodão. Com a nova área operacional, a capacidade produtiva da Promip ultrapassa as 200 toneladas já em 2026, desenhando uma rota de crescimento para bater 500 toneladas nos próximos três anos.
Para o CEO da Promip, Marcelo Poletti, o investimento consolida o plano estratégico da companhia em um mercado que cresce a taxas expressivas, mas que carece de diferenciação tecnológica profunda. "Estruturamos uma plataforma de inovação centralizada em vírus próprios. Nosso objetivo é liderar esse segmento no Brasil e no exterior, entregando consistência e tecnologia proprietária para o agricultor", destacou Poletti.
MUDANÇA DE PATAMAR INDUSTRIAL Ao contrário dos macrobiológicos (como vespas e ácaros predadores), a produção de vírus exige a criação de lagartas em escala industrial combinada a processos avançados de automação, formulação química e envase em ambientes controlados.
O evento de inauguração atraiu os principais fundos de venture capital que dão suporte financeiro à trajetória de scale-up da empresa, como a Angra Partners (representando o fundo Inova Empresa), a SP Ventures (fundo Inovação Paulista) e o Sebrae-SP, investidor de primeira hora da companhia desde 2014.
Atualmente, a Promip opera com um quadro de 140 colaboradores, e já integrou mais 30 profissionais técnicos para operar o novo layout industrial. A transição da empresa, que nasceu dentro das incubadoras de inovação da Esalq/USP com o apoio da Fapesp, Finep e CNPq, para uma planta industrial automatizada e de alta capacidade consolida o ecossistema paulista como o principal polo de biotecnologia voltada ao agronegócio da América Latina.
| Indicador Operacional | Cenário Atual (2026) | Projeção (Próximos 3 Anos) |
| Capacidade de Produção | > 200 toneladas / ano | 500 toneladas / ano |
| Culturas Alvo | Milho, Soja e Algodão | Expansão de portfólio e exportação |
| Equipe Fabril | 140 funcionários ativos | + 30 novos especialistas contratados |
| Foco Tecnológico | Automação e Formulação | Plataforma global de Baculovírus |