As decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos vieram dentro do esperado pelo mercado, mas o tom dos comunicados reforçou cautela, com inflação elevada, petróleo pressionado e incertezas geopolíticas. As informações são da economista Mariana Garcia.
No Brasil, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto, de 14,75% para 14,50% ao ano. Foi o segundo corte consecutivo no ciclo iniciado em março, mas sem sinalização clara sobre os próximos passos. O comunicado voltou a destacar que o ambiente externo permanece incerto diante da indefinição sobre a duração e os efeitos dos conflitos no Oriente Médio.
A leitura do mercado é de que há menos espaço para cortes fortes. Segundo o Boletim Focus, a projeção para a Selic ao fim de 2026 subiu para 13%, acima dos 12,50% estimados há um mês. A revisão reflete a percepção de que o choque do petróleo reduz a margem de ação do Banco Central.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve os juros entre 3,50% e 3,75%, na terceira reunião seguida sem alteração. A decisão foi marcada por divisão interna, com 8 votos a favor e 4 contra, a maior dissidência desde outubro de 1992. O comunicado apontou que os desdobramentos no Oriente Médio elevam a incerteza econômica.
A inflação americana segue pressionada pela alta dos preços globais de energia. A gasolina atingiu o maior nível em quatro anos, enquanto o CPI de março avançou 0,9%, maior alta desde junho de 2022. Com a manutenção nos EUA e a queda no Brasil, o diferencial entre as taxas chegou a 10,75 pontos, fator que influencia o fluxo de capitais e pode impactar o câmbio. Após a reunião, o mercado passou a precificar manutenção na próxima decisão do Fed com probabilidade de 94,8%.