Preço do algodão atinge maior patamar em 9 meses com entressafra e alta do petróleo
Publicado em 29/04/2026 11h00

Preço do algodão atinge maior patamar em 9 meses com entressafra e alta do petróleo

O Indicador CEPEA/ESALQ da pluma de algodão atingiu o maior patamar nominal desde o fim de julho de 2025, impulsionado pela entressafra brasileira, cotações internacionais firmes e a alta do petróleo.
Por: Redação

O mercado de algodão no Brasil atravessa um ciclo de valorização expressiva. O Indicador CEPEA/ESALQ (pagamento em 8 dias) opera atualmente em seu maior patamar nominal dos últimos nove meses, nível que não era visto desde o final de julho de 2025. Esse movimento de alta reflete uma combinação de fatores internos e globais que reduzem a oferta disponível no curto prazo e elevam o custo de reposição da pluma.

Internamente, o Brasil vive o período de entressafra, o que gera uma postura naturalmente mais cautelosa por parte dos vendedores. Os produtores brasileiros, atentos às cotações internacionais mais firmes, preferem aguardar por melhores margens antes de disponibilizar grandes volumes no mercado spot. Esse cenário é reforçado pela valorização do petróleo — que encarece as fibras sintéticas concorrentes — e pelas incertezas climáticas que cercam as janelas de plantio e desenvolvimento tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

No mercado físico, as negociações ocorrem de forma pontual. Segundo pesquisadores do Cepea, as transações atuais são voltadas apenas para necessidades imediatas das fiações e reposição mínima de estoques. Existe um claro descompasso de preços: de um lado, o vendedor pede valores mais altos acompanhando Chicago; de outro, o comprador tenta segurar as ofertas para não comprometer sua margem.

GARGALO NA INDÚSTRIA TÊXTIL A cadeia de manufaturados enfrenta dificuldades para repassar a alta da matéria-prima ao consumidor final. Com o varejo enfraquecido, a indústria nacional opera com cautela máxima nas compras.

O cenário para o consumo de tecidos e fios permanece desafiador. Fatores macroeconômicos como os juros elevados, o endividamento das famílias e a inflação persistente limitam o poder de compra da população, travando o escoamento nas lojas. Assim, mesmo com a pluma em patamares recordes de nove meses, o ritmo de negócios no mercado interno segue lento, sustentado apenas pela necessidade técnica de abastecimento das fábricas.


Fatores de influência no preço do algodão

Fator de Alta Impacto no Mercado
Câmbio/Chicago Preços internacionais firmes elevam a paridade de exportação.
Petróleo Encarece o poliéster, tornando o algodão mais competitivo.
Entressafra Menor disponibilidade de pluma de qualidade imediata no campo.
Clima Incertezas sobre a safra americana e a produtividade brasileira.
Juros/Inflação Lado negativo: restringe o consumo de roupas e manufaturados.