Por que o Brasil correu para importar fertilizantes no início de 2026?
Publicado em 20/04/2026 09h16

Por que o Brasil correu para importar fertilizantes no início de 2026?

O Brasil registrou uma alta de 23% no volume de fertilizantes importados no primeiro trimestre de 2026, somando 8,72 milhões de toneladas. A corrida foi motivada pela antecipação de compras diante da alta dos preços internacionais e da instabilidade na oferta global.
Por: Redação

O primeiro trimestre de 2026 foi marcado por uma movimentação intensa e estratégica nos portos brasileiros. O país, que é o maior importador mundial de fertilizantes, acelerou as compras externas para garantir o abastecimento das próximas safras. De acordo com a GlobalFert, o volume desembarcado chegou a 8,72 milhões de toneladas, superando significativamente os 7,10 milhões registrados no mesmo período de 2025.

Esse avanço de 23% no volume veio acompanhado de um "pesadelo" financeiro: o desembolso saltou de US$ 2,23 bilhões para mais de US$ 3,02 bilhões. O aumento no custo não se deve apenas à maior quantidade de produto, mas à escalada dos preços internacionais, inflacionados pelo encarecimento do gás natural e por restrições logísticas e geopolíticas em rotas globais.

Os nitrogenados foram os grandes protagonistas dessa corrida. A ureia, embora tenha apresentado um leve recuo no volume importado (1,18 milhão de toneladas), viu seu preço disparar de US$ 380 para US$ 452 por tonelada. O destaque absoluto de crescimento foi o sulfato de amônio, que saltou de 1,29 milhão para 2,11 milhões de toneladas, consolidando-se como uma alternativa mais competitiva para os produtores brasileiros em meio à volatilidade do mercado.

POTÁSSIO EM ALTA O Cloreto de Potássio (KCl) manteve sua hegemonia na pauta de importações, crescendo de 2,61 milhões para 3,09 milhões de toneladas, mesmo enfrentando cotações mais elevadas.

No segmento dos fosfatados, o comportamento foi misto. Enquanto o MAP e o DAP perderam espaço, o SSP (Superfosfato Simples) avançou para 749 mil toneladas e o TSP (Superfosfato Triplo) praticamente dobrou seu volume. Esse movimento indica uma busca do produtor por fontes de fósforo que ofereçam melhor relação custo-benefício em um cenário de orçamentos apertados.

Especialistas indicam que essa antecipação de compras em 2026 é um reflexo do aprendizado das safras anteriores. Com o mercado global cada vez mais imprevisível, garantir o insumo "dentro de casa" — mesmo pagando mais caro — tornou-se a estratégia de sobrevivência para evitar o desabastecimento no momento do plantio.

Comparativo de Importações (1º Trimestre: 2025 vs 2026)

Insumo Volume 2025 (t) Volume 2026 (t) Variação
Total Geral 7,10 milhões 8,72 milhões +23%
Cloreto de Potássio (KCl) 2,61 milhões 3,09 milhões +18%
Sulfato de Amônio 1,29 milhão 2,11 milhões +63%
Ureia 1,29 milhão 1,18 milhão -8,5%
SSP (Super Simples) 521 mil 749 mil +43%