O consumo de fertilizantes no Brasil deve recuar em 2026, refletindo um cenário de preços mais elevados e maior pressão sobre os custos de produção. A redução ocorre após um período de forte demanda e indica uma mudança no ritmo do mercado diante de fatores externos e internos que afetam o setor agrícola.
Segundo relatório do Rabobank, as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro devem cair de 49,1 milhões de toneladas em 2025, quando foi registrado recorde, para cerca de 47,2 milhões de toneladas em 2026. A retração estimada é de aproximadamente 2 milhões de toneladas.
O banco destaca que a escalada das tensões no Oriente Médio, com o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz em meio ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, retirou volumes relevantes do comércio global. Esse movimento contribuiu para a elevação dos preços, afetando principalmente países dependentes de importações, como o Brasil, que teve 88% do consumo atendido por produtos importados no último ano.
Além do cenário internacional, o relatório aponta que produtores brasileiros enfrentam dificuldades financeiras, com margens mais baixas. Essa combinação deve dificultar a repetição do desempenho observado em 2025.
As projeções indicam que os preços devem permanecer elevados ao longo da temporada, limitando a demanda. Mesmo com a redução da participação do Oriente Médio nas importações totais, atualmente em 12%, os efeitos do conflito seguem influenciando o mercado.
No caso da ureia, a dependência regional ainda é relevante. Em 2025, 36% das importações vieram do Oriente Médio, abaixo dos 53% registrados em 2021. Entre janeiro e 19 de março, os preços do produto nos portos brasileiros subiram cerca de 76%.