Acordo com a Europa abre nova disputa no agro
Publicado em 15/04/2026 07h38

Acordo com a Europa abre nova disputa no agro

Os efeitos mais concretos aparecem em produtos processados.
Por: Leonardo Gottems

O acordo entre União Europeia e Mercosul redesenha as condições de acesso para o agronegócio brasileiro, sem alterar de forma imediata a estrutura atual das exportações. Segundo Fabio Sgarbi, estrategista, o Brasil já ocupa posição relevante no mercado europeu, com cerca de US$ 21,8 bilhões exportados em produtos agrícolas em 2025, ou aproximadamente US$ 25 bilhões considerando o agronegócio como um todo, o que representa quase 44% das vendas ao bloco.

Hoje, as exportações estão concentradas em café, complexo de soja, carnes bovina e de aves, além de açúcar e etanol. Em vários desses segmentos, como soja e café verde, as tarifas já são zeradas, o que limita impactos imediatos do acordo sobre volumes. Ainda assim, há um entrave estrutural relevante: a regulação europeia sobre organismos geneticamente modificados restringe parte do potencial de expansão brasileira, especialmente em grãos.

Os efeitos mais concretos aparecem em produtos processados e de maior valor agregado. Tarifas para café instantâneo e torrado serão eliminadas, abrindo espaço para diversificação. No caso das proteínas animais, o acesso se dá por meio de quotas, com expectativa de crescimento moderado nas exportações de carne bovina e avanço mais expressivo na avicultura. Açúcar e etanol também ganham espaço com volumes isentos, ainda que menores.

Os primeiros fluxos comerciais, próximos de US$ 700 milhões, indicam ganhos iniciais em óleos vegetais, derivados e itens processados. No curto prazo, os efeitos tendem a ser marginais e concentrados em nichos. No médio prazo, há perspectiva de aumento de produtos com maior valor agregado e maior competição entre exportadores. No horizonte mais longo, a questão central passa a ser a capacidade de capturar valor, em um cenário onde barreiras regulatórias seguem determinantes.