A crescente instabilidade geopolítica passou a exercer papel central na dinâmica dos mercados globais, alterando expectativas e ampliando incertezas no segundo trimestre de 2026. O cenário atual combina tensões militares, disputas comerciais e fatores macroeconômicos que impactam diretamente cadeias produtivas e preços de commodities em diferentes regiões.
Segundo análise da StoneX , a escalada do conflito no Oriente Médio redefiniu o mapa de riscos ao atingir pontos estratégicos da oferta global. O fechamento do Estreito de Ormuz, responsável por parcela relevante do fluxo de petróleo, gás natural liquefeito e fertilizantes, provocou choques na logística e elevou custos em diversos setores. Mesmo com um cessar-fogo temporário, a fragilidade do acordo mantém o mercado em alerta.
Esse ambiente pressiona não apenas a energia, mas também insumos agrícolas e transporte, refletindo diretamente na formação de preços. No caso dos grãos, o plantio no Hemisfério Norte ocorre sob custos mais elevados, sustentando cotações enquanto reduz margens dos produtores. Já os fertilizantes enfrentam restrições de oferta e encarecimento logístico, alterando o padrão sazonal de compras.
No segmento energético, a influência geopolítica segue dominante, com impactos persistentes sobre produção e rotas comerciais. Entre as commodities agrícolas, há movimentos distintos, com ajuste na oferta de algodão, pressão sobre o café em ciclo produtivo positivo e acomodação nos preços do cacau diante da recomposição da produção global.
Nos metais, a combinação entre restrições de oferta e cenário macroeconômico mais apertado gera sinais mistos, enquanto o câmbio reflete a busca por segurança e liquidez. No Brasil, apesar da sustentação vinda das exportações de petróleo, fatores internos e externos indicam manutenção da volatilidade.
O conjunto desses elementos reforça a necessidade de estratégias mais cautelosas, com atenção redobrada à gestão de riscos em um ambiente cada vez mais interligado e sensível a choques externos.