Brasil inicia envio de DDGS e farinha de aves para o mercado chinês
Publicado em 07/04/2026 10h24

Brasil inicia envio de DDGS e farinha de aves para o mercado chinês

Brasil consolida mercado chinês com as primeiras entregas de DDGS e farinha de vísceras, diversificando a pauta exportadora de valor agregado.
Por: Wisley Torales

A logística do agronegócio brasileiro celebra um novo marco nesta semana. O Porto de Nansha, localizado em Guangzhou, recebeu as primeiras 62 mil toneladas de Grãos Secos de Destilaria com Solúveis (DDGS) produzidos em solo nacional. Este desembarque representa o início prático de um fluxo comercial desenhado após intensas negociações entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e as autoridades sanitárias de Pequim.

Paralelamente ao avanço do milho processado, a indústria de reciclagem animal também rompeu barreiras. O primeiro contêiner de farinha de vísceras de aves foi enviado ao mercado chinês, concretizando uma abertura oficializada ainda no primeiro semestre de 2023. Ambos os movimentos indicam uma mudança qualitativa na relação comercial, que passa a absorver subprodutos de alto valor proteico.

O salto do etanol de milho nas exportações

A exportação do DDGS é um desdobramento direto da expansão das usinas de etanol de milho no Centro-Oeste brasileiro. O produto, que sobra após a fermentação do grão para produção de biocombustível, é um concentrado de proteínas e fibras altamente valorizado na nutrição de bovinos, suínos e aves. A demanda pela abertura desse mercado foi liderada pela União Nacional do Etanol de Milho (Unem).

As tratativas sanitárias foram complexas e levaram cerca de dois anos para serem finalizadas. O acesso oficial foi autorizado em maio de 2025, mas exigiu um rigoroso processo de certificação. Somente em novembro do ano passado os primeiros estabelecimentos brasileiros receberam o aval final para o embarque, garantindo que o produto cumpre os padrões de segurança alimentar exigidos pela China.

DADO ESTRATÉGICO Em 2025, a China importou mais de US$ 55,3 bilhões em produtos agropecuários do Brasil, detendo 32,7% de participação em todo o setor.

Reciclagem animal ganha escala na Ásia

A chegada da farinha de vísceras de aves ao gigante asiático atende a um pleito antigo da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra). Diferente das commodities brutas, esses farinhados exigem processos industriais específicos de esterilização e processamento, o que gera maior margem de lucro para os frigoríficos nacionais e reduz o desperdício dentro da cadeia produtiva.

O uso desse insumo na China é focado principalmente na fabricação de rações para a aquicultura e para a suinocultura, setores que buscam fontes de proteína eficientes para alimentar um rebanho e uma produção pesqueira de dimensões continentais. A entrada brasileira nesse nicho retira a dependência exclusiva da venda de carnes in natura, agregando inteligência industrial ao portfólio.

Articulação público-privada e competitividade

O sucesso dessas operações é creditado à atuação conjunta entre o corpo diplomático brasileiro e as entidades de classe. A capacidade de resposta do setor produtivo às exigências técnicas chinesas tem sido o diferencial competitivo. Com a habilitação de novas plantas, a tendência é que o volume de embarques de coprodutos cresça de forma exponencial nos próximos trimestres.