
Desde que iniciei a escrever sobre ESG me foquei em setores onde já havia trabalhado ou naqueles que tinha interesse direto. Mas – mais uma vez – o leitor tem vez e voz. Fui estigada a estudar e a pesquisar sobre os impactos do ESG para o Setor do Turismo no país. Foi um leitor da Bahia que trouxe dúvidas e indagações que me fizeram parar por 3 semanas para mergulhar num universo que nunca tive contato direto. E fiquei entusiasmada, primeiro pelo leitor me considerar uma colunista importante e, segundo, pela oportunidade de ser desafiada a entender de um novo setor...
Descobri um bastidor onde conhecia apenas, de vista, a ponta do ENORME iceberg!
Por ter atuado, como jornalista de mercado e economia, tinha – claro - uma noção da importância do setor. Mas quando busquei entender todas as camadas que envolvem o Turismo e o que significa o ESG pra esse mercado, compreendi a complexidade do setor. E entendi que essa vocação nacional precisa virar foco do interesse público, privado e governamental. Não é só sobre viajar de férias... É sobre um mercado que – por si só – já traz mudança.
E hoje, está promovendo INOVAÇÃO de experiência; INOVAÇÃO de percepção; e INOVAÇÃO de preservar o velho, o novo e o ambiental. Mesmo que este perfil não esteja nos ‘anais’ do nosso DNA como sociedade. Não somos ensinados a cuidar da nossa história; nem tão pouco de um córrego, de laranja-lima, ou casa de gambá... Se deixar asfaltamos até a beirinha da praia aonde as ondas chegam... Mas sou otimista!
E vamos aos números que me deixaram feliz...
Entre janeiro de 2025 até março deste ano, o Setor de Turismo brasileiro faturou acima dos R$ 185,2 bilhões, alta de 6,4% sobre 2024, e já com projeções de expansão contínua em 2026. Foram 9,2 milhões de turistas internacionais, o maior número da série histórica. Nesse cenário, o ESG deixou de ser discurso e virou prática concreta, com empresas e municípios colhendo resultados tangíveis — mais visitantes, mais receita e protagonismo nesse novo mercado do ESG e do crédito de carbono.
O turismo representou 7,7% do PIB nacional no ano passado (R$ 903,4 bilhões) e gerou 8,2 milhões de empregos diretos e indiretos, segundos dados do Ministério do Turismo. E no panorama geral, o Brasil liderou o ranking mundial de crescimento turístico, com 8 milhões de estrangeiros e US$ 6,6 bilhões injetados na economia. Realmente uma grande via de oportunidades para o empreendedorismo e para receber aportes de investidores nacionais e de outros países.
E a ‘Menina dos olhos’ para investidores é a grande demanda sustentável do setor que cresce a passos largos, e já superou em 20 vezes a expectativa inicial projetada pelo mercado para o Brasil há 10 anos. Hoje, há geração de empregos diretos e indiretos sempre em aberto, há novas localidades que entram na rota desse perfil de turismo. Assim como, se vê ampliar a capacidade de promover experiências memoráveis aqui no Brasil.
Segundo pesquisa promovida pelo portal Booking.com, 83% dos viajantes brasileiros querem beneficiar comunidades locais e reduzir impactos ambientais. A maioria dessas pesquisas apontam intenções de empesas e turistas, mostrando com mais clareza o perfil de quem compra, de quem vende e de quem tem e quer investir. Mas o Brasil é muito grande e a nossa ‘organização’ interna não é das mais eficazes tanto no privado como no público. E, na maioria das vezes, esses dois ‘universos’ paralelos se tornam antagonistas. Infelizmente!
Um dos poucos exemplos no país de união simbiótica, fecunda e duradoura entre o setor privado e o governo local (municipal) com expressão nacional e internacional são as cidades de Gramado e Canela na Serra Gaúcha. Onde promovem grandes e médios eventos o ano inteiro, enfatizando diversos setores produtivos dos dois municípios dentro do calendário anual.
Mas a demanda faz com que cidades e regiões inteiras se movimentem como pela força de uma onda do mar que nos faz escolher: cair ou seguir junto a correnteza, mesmo não sabendo nadar. Conheci algumas iniciativas, projetos e negócios que fizeram a lição de casa e, hoje, podem ensinar e servir de exemplo. A inovação não precisa ser “epopética” (olha eu – de novo -inventando palavra) ... A inovação apenas necessita curar uma dor, acalmar o tempo ou trazer felicidade ao paladar, ao olfato ou para os olhos... Escolha um.
Tendo isso, as demais demandas vão sendo absorvidas naturalmente. Essa é a ‘alma’ do Setor do Turismo... E nesse mergulho, fiquei inspirada com os resultados que vivenciei...
Conheça a trilha de ideias que sairam do papel, viraram atitude e se tornaram referência!!!
Na capital mineira, Belo Horizonte, em setembro de 2025, a Belotur lançou edital pioneiro para compensar emissões de grandes eventos turísticos com créditos de carbono.
O arquipélago Fernando de Noronha, composto por 21 ilhas e ilhotas que pertence a Pernambuco; onde apenas a ilha principal é habitada, e as demais são áreas de preservação ambiental permanente. Em 2025, arrecadou R$ 12 milhões em taxas ambientais, revertidos para projetos de neutralização de carbono.
Serra Gaúcha (RS) vinícolas como a Miolo Wine Group ampliaram investimentos diretos em energia solar e na gestão de resíduos, registrando 15% de aumento na visitação após certificações ambientais. Essa iniciativa já está virando um efeito ‘dominó’ positivo, com outras empresas buscando as certificações dentro das suas realidades.
(E já tô curiosa pra conhecer esses outros projetos... :)
COMUNIDADES PROTAGONISTAS...que inspiram!
Nunca diga não posso; não consigo; não sei como fazer... Insista no sonho e naquela voz que acorda com você e grita na sua cabeça: “Faça!”. “Persista!”. “Vá em frente!”. Quase sempre essa voz está certa. Comunidades e Entidades abraçaram o propósito do ESG, que vem para ser a régua e o balizador Ético da gestão, ação, posturas, regulamentações no 360° dos setores público e Privado.
Trouxe para você algumas ações, projetos e atitudes que considerei replicáveis...
Na Praia de Pratigi (BA), litoral sul da Bahia, faz parte do município de Ituberá, região conhecida de Costa do Dendê: desenvolveram projetos comunitários que tiveram impacto econômico direto; elevaram em mais de 30% a renda per-capita local.
No Pantanal (MS), pousadas como a Araras Eco Lodge capacitaram mais de 200 guias locais, aumentando em 18% a taxa de ocupação.
Já no 37º Festuris Gramado(RS), em 2025 trouxe o tema Reimaginando o Amanhã; o evento foca em inovações, ESG, astroturismo e networking B2B, reuniu líderes do turismo mundial.
- Braztoa: em fevereiro de 2026, apresentou balanço climático de 2025, neutralizando mais de 50 toneladas de CO₂ em suas operações.
- Copastur: lançou em janeiro de 2026 o Calendário ESG 2026, guiando empresas de turismo em práticas alinhadas aos ODS da ONU.
- Embratur: publicou em 2025 seu primeiro relatório de sustentabilidade, alinhando promoção internacional ao ESG.
O volume movimentado pelo setor de turismo brasileiro ultrapassou os US$ 180 milhões em créditos de carbono em 2025, com destaque para hospedagens e eventos. No Ranking mundial, o Brasil ocupa a 5ª posição global em geração de créditos de carbono ligados ao turismo, atrás de Costa Rica e Suécia.
De 2025 a março de 2026, o Brasil mostrou que ESG não é custo, mas investimento com retorno garantido. Municípios, empresas e entidades já colhem frutos: mais visitantes, mais receita e protagonismo no mercado de carbono. O país está em posição estratégica para se tornar líder global em turismo sustentável, transformando preservação e inclusão em ativos econômicos. E não sou eu que afirmo isso, são inúmeros institutos e entidades internacionais do Turismo,
Nos últimos cinco anos, o país atraiu mais de US$ 126 milhões em investimentos estrangeiros apenas no primeiro semestre de 2024, um crescimento de 207% em relação a 2023. Municípios, empresas e entidades já colhem frutos: mais visitantes, mais receita e protagonismo no mercado de carbono. Embora o Chile e a Colômbia estejam mais avançados em certificações e regulamentações ESG, o Brasil se destaca pelo volume de turistas e pela capacidade de transformar preservação e inclusão em ativos econômicos, consolidando sua posição estratégica para se tornar líder regional e global em turismo sustentável.
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Comparação Brasil x América do Sul em ESG no Turismo |
| PAÍS | Investimentos recentes | Destaques ESG | Posição regional |
| BRASIL | US$ 126 mi (2024, semestre) | Carbono, inclusão social, preservação | Líder em volume de turistas e potencial no Mercado carbono |
| CHILE | Forte em ecoturismo e parques nacionais | Certificações ambientais consolidadas | Referência em regulamentação ESG |
| COLÔMBIA | Crescente investimento em turismo comunitário | Programas de inclusão indígena | Reconhecimento internacional |
| ARGENTINA | Menor captação de investimentos | Foco em turismo cultural | Desafios em políticas ESG |
(Fonte: Ministério do Turismo)
BRASIL ACELERA NO TURISMO SUSTENTÁVEL E DE EXPERIÊNCIA
Nos últimos anos, parte do setor no Brasil deixou claro que sustentabilidade não é custo, mas investimento com retorno garantido. Em 2019, os aportes estrangeiros somaram US$ 48 milhões; em 2023, caíram para US$ 41 milhões. Mas 2024 marcou uma virada: US$ 126 milhões captados apenas no primeiro semestre, um salto de 207% em relação ao ano anterior. O ritmo seguiu firme em 2025, impulsionado pela demanda crescente por destinos que unem preservação e inclusão. O reflexo foi imediato: o país registrou aumento de 37% nas chegadas internacionais, o maior crescimento entre destinos globais.
No turismo de experiência, a força é ainda mais evidente. O segmento já responde por 60% do faturamento dos pequenos negócios turísticos e cresceu 8,9% em reservas de atividades em 2025. Pesquisas mostram que nove em cada dez turistas brasileiros buscam vivências autênticas — seja na gastronomia regional, em comunidades tradicionais ou em roteiros de ecoturismo.
Esses números posicionam o Brasil para se lançar protagonista regional e referência mundial no Turismo Sustentável, transformando preservação e diversidade cultural em ativos econômicos. Só falta um “pequeno” detalhe para que este grande cenário se expanda...
...uma LOGÍSTICA alinhada a todo esse potencial !!
Problema que todo o setor produtivo brasileiro - da agropecuária ao setor industrial inteiro - têm para tornar o escoamento mais ágil, barato e compatível com o tamanho e qualidade da Produção Nacional. E o Setor do Turismo possui limitações estruturais que encarecem toda a sua cadeia.
Essa falta de investimento público numa LOGISTICA moderna e MULTIMODAL, torna o Turismo – em parte – para poucos. Um Gap de crescimento enorme no potencial de expansão do setor no Brasil.
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KÁTYA DESESSARDS | Conselheira e Mentora em ESG e Comunicação Estratégica. Integrante do Institute On Life
Co-Autora no livro: Gestão! Como Evoluir em uma Nova Realidade?
Experiência de 28 anos em diversos setores do mercado.
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Dúvidas & Sugestões sobre ESG: katyadesessards@gmail.com.br