Safrinha de milho cresce em área, mas produção deve recuar 7,6% em 2026
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Publicado em 30/03/2026 15h29

Safrinha de milho cresce em área, mas produção deve recuar 7,6% em 2026

A produção total de milho no Brasil deve recuar 6,2% na safra 2025/26, totalizando 141,6 milhões de toneladas, apesar do aumento de 2,7% na área plantada, segundo o Rally da Safra.
Por: Redação

O setor de milho no Brasil vive um paradoxo na temporada 2025/26. De acordo com os dados mais recentes do levantamento técnico Rally da Safra, o país registrou uma expansão na área total de cultivo, que atingiu 22,9 milhões de hectares — uma alta de 2,7% em comparação ao ciclo anterior. No entanto, o otimismo com a área não se reflete na projeção de volume colhido. A estimativa de produção total caiu para 141,6 milhões de toneladas, um recuo de 6,2%, evidenciando que fatores climáticos e o calendário de plantio estão pesando mais que a extensão das lavouras.

O centro das atenções é a segunda safra, carinhosamente chamada de safrinha, que representa o maior volume do grão no país. Embora a área destinada a esse cultivo tenha crescido 2,5%, alcançando 18,5 milhões de hectares, a produção estimada sofreu um corte severo de 7,6%, projetada em 114,5 milhões de toneladas. Em contrapartida, a primeira safra de milho (safra de verão) segue estável, com um leve incremento de 0,3% na produção, somando 27,1 milhões de toneladas.

Essa retração na produtividade da segunda safra é um reflexo direto das janelas de plantio. Em estados estratégicos como Mato Grosso e Goiás, o ritmo de semeadura apresentou leves atrasos em relação à média histórica. Esse deslocamento do calendário empurra o período crítico de polinização e enchimento de grãos para meses onde o regime de chuvas é naturalmente mais escasso, elevando a vulnerabilidade das plantas ao estresse hídrico.

Dependência de chuvas e o risco climático em maio

O levantamento técnico destaca uma dependência crescente de precipitações tardias para garantir a viabilidade econômica das lavouras. Em estados do Centro-Oeste e do Sul, como Mato Grosso do Sul e Paraná, uma parcela significativa das áreas semeadas fora da janela ideal precisará de chuvas regulares até o mês de maio. Sem essas precipitações, o potencial produtivo pode sofrer novos cortes, já que o solo nessas regiões tende a perder umidade rapidamente com a chegada das frentes frias e a redução da pluviosidade de outono.

As simulações do Rally da Safra indicam que as áreas plantadas ao longo de março em Goiás e Mato Grosso são as mais sensíveis. A partir da segunda quinzena de abril, qualquer corte prematuro nas chuvas poderá resultar em perdas irreversíveis de produtividade. Por outro lado, se o regime de chuvas se mantiver favorável até maio, há uma chance de recuperação parcial do desempenho dessas áreas mais tardias, equilibrando a balança da safra nacional.

A conjuntura atual exige que o produtor rural mantenha um monitoramento rigoroso e invista em tecnologias que mitiguem o estresse hídrico. A escolha de híbridos com ciclo mais curto e o manejo biológico do solo para retenção de umidade tornam-se ferramentas indispensáveis em um ano de incertezas climáticas. O mercado agora observa atentamente os mapas meteorológicos, pois cada milímetro de chuva em maio será determinante para definir o volume final do milho que abastecerá as cadeias de proteína animal e exportação.