Expocamda 2026: 18 unidades de pesquisa chegam ao produtor do Oeste
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Publicado em 27/03/2026 11h22

Expocamda 2026: 18 unidades de pesquisa chegam ao produtor do Oeste

A Secretaria de Agricultura de SP reúne pesquisa, extensão e sanidade em estande da Expocamda 2026, em Adamantina, com foco em café canephora, soja e fruticultura.
Por: Wisley Torales

A Expocamda 2026 recebe, até esta sexta-feira (27), um espaço que reúne pesquisa agropecuária, extensão rural e defesa sanitária em um único ponto de atendimento ao produtor. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo marcou presença na feira por meio da APTA Regional, da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e da Defesa Agropecuária, com o objetivo de aproximar os resultados científicos da rotina das lavouras do Oeste Paulista.

O estande reúne exposição de grãos, mudas e produtos agrícolas, permitindo que o produtor visualize, na prática, o impacto das pesquisas desenvolvidas nos campos experimentais da região. Entre os destaques estão as culturas de café canephora (robusta), soja, amendoim, milho, algodão e frutas, todas com relevância direta para as cadeias produtivas locais.

Um dos pontos de maior atração é a degustação de café canephora preparado na hora. A iniciativa busca apresentar ao público a qualidade dos grãos produzidos na região, conectando tecnologia, produção e experiência sensorial. "A ação também mostra o papel da pesquisa na valorização de novas cadeias e na agregação de valor ao produto final", destaca Fernando Nakayama, chefe da unidade da APTA Regional de Adamantina.

Diversificação e renda no campo

O trabalho com o café canephora ganha destaque pela sua relevância como alternativa produtiva para pequenos agricultores. A APTA Regional de Adamantina, em parceria com o Centro de Café do Instituto Agronômico (IAC-APTA), desenvolve pesquisas científicas com o Coffea canephora voltadas à diversificação da produção e ao aumento de renda no Oeste Paulista.

Segundo Nakayama, a cultura oferece uma alternativa de cultivo com alto potencial de mercado e qualidade reconhecida pela indústria. A espécie, diferente do arábica, adapta-se bem a condições climáticas mais quentes e tem apresentado bom desempenho nas regiões oeste e noroeste do estado.

Além do café, o pesquisador Maurício Nasser apresenta projeto com acerola e um mostruário de fertilizantes. O trabalho inclui ações de extensão realizadas com produtores e associações, com foco em recomendações de adubação. O pesquisador Denilson Burkert aborda ações voltadas tanto à agricultura quanto à pesca, ampliando o escopo das atividades apresentadas no estande.

Integração entre pesquisa e assistência técnica

A presença conjunta da CATI Regional de Tupã e de Dracena e da Defesa Agropecuária — que conta com uma unidade móvel — amplia o atendimento disponível aos produtores durante a feira. O conjunto de serviços envolve difusão de tecnologia, assistência técnica e orientações sobre sanidade animal e vegetal, além de projetos estratégicos do setor.

As ações de extensão rural incluem orientações sobre fertilidade do solo e adubação, além de trabalhos com fruticultura, com destaque para acerola e banana. A proposta é valorizar as cadeias produtivas regionais e ampliar o acesso dos produtores às recomendações técnicas geradas pela pesquisa pública paulista.

"A ideia é mostrar, de forma acessível, o que estamos desenvolvendo e como isso pode ser aplicado diretamente pelo produtor, fortalecendo cadeias produtivas", enfatiza Nakayama.

O café paulista em números

O setor cafeeiro paulista vive um momento de crescimento expressivo. O Estado de São Paulo ocupa a posição de terceiro maior produtor de café do Brasil, com estimativa de safra 2025/26 de 4,7 milhões de sacas, o equivalente a 282,7 mil toneladas. No comércio exterior, o grão representa 7,4% das exportações paulistas, com US$ 279,17 milhões movimentados apenas em fevereiro de 2026, segundo dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA).

O setor avança também em certificação e reconhecimento. O Selo Agro SP Café e o Concurso do Café de São Paulo fortalecem a excelência produtiva do estado, enquanto as Rotas do Café integram produção, turismo e história em diferentes regiões. A Indicação Geográfica (IG) do café arábica da Nova Alta Paulista adiciona valor e identidade ao produto regional.

Nesse contexto, o café canephora desponta como uma nova fronteira produtiva para o agro paulista, com potencial de ampliar a participação do estado no mercado nacional e internacional da bebida.

A APTA Regional é considerada o maior hub descentralizado de pesquisa agropecuária do Estado de São Paulo, com 18 unidades regionais e 11 redes de pesquisa que unem especialistas de diversas áreas. A instituição é vinculada à Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.