Plantio direto e ILPF transformam solo em "esponja" hídrica em MS
Publicado em 21/03/2026 12h43

Plantio direto e ILPF transformam solo em "esponja" hídrica em MS

No Dia Mundial da Água, comemorado em 22 de março, produtores rurais de Mato Grosso do Sul reforçam o uso de técnicas sustentáveis para preservar recursos hídricos.
Por: Redação

A celebração do Dia Mundial da Água, em 22 de março, destaca o protagonismo de Mato Grosso do Sul na adoção de práticas que conciliam produção e conservação. O setor agropecuário estadual tem avançado na implementação de estratégias alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. As ações focam especialmente nos ODS 6 e 14, que tratam de água potável, saneamento e vida na água.

O modelo produtivo sul-mato-grossense prioriza a manutenção dos recursos hídricos como base da viabilidade econômica das propriedades. De acordo com o Senar/MS, a conexão entre o agro e o desenvolvimento sustentável é um movimento consolidado há décadas. O trabalho envolve desde o manejo adequado de pastagens até a manutenção rigorosa de Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal.

A eficiência hídrica no campo depende diretamente da qualidade do solo. Quando bem manejado, o solo atua como um regulador do ciclo da água, permitindo a recarga de aquíferos e reduzindo o impacto de períodos de estiagem. Essa dinâmica é fundamental para garantir a produtividade das safras e a perenidade das nascentes que abastecem as bacias hidrográficas do estado.

A Eficiência do Plantio Direto e dos Sistemas Integrados

O sistema de plantio direto é o principal pilar de sustentação da agricultura sustentável em Mato Grosso do Sul. Dados do SIGA-MS indicam que 99,9% da área acompanhada na safra 2024/2025 utilizou essa técnica. O método consiste na semeadura sobre a palhada da cultura anterior, sem o revolvimento da terra. Essa camada orgânica protege a superfície contra a erosão e conserva a umidade por mais tempo.

Além da proteção física, o plantio direto favorece a infiltração da água da chuva. Sem a compactação ou o solo exposto, o escoamento superficial é minimizado, evitando que sedimentos atinjam os cursos d'água. Essa prática contribui para a manutenção da temperatura do solo, criando um ambiente favorável ao desenvolvimento das raízes e à atividade biológica necessária para a fertilidade.

Outro destaque estadual é o sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Mato Grosso do Sul detém a maior área do país sob esse modelo de cultivo. A diversificação de culturas e a presença de árvores e pastagens melhoram a estrutura física do solo. Com o aumento da matéria orgânica, o solo passa a funcionar como uma "esponja", absorvendo e retendo a água com maior eficácia.

Mapeamento de Nascentes e Assistência Técnica no MS

O monitoramento direto das fontes de água é uma das frentes de atuação do Senar/MS. Desde 2020, o programa Proteção de Nascentes identificou 3.305 pontos em 70 municípios do estado. O mapeamento beneficiou mais de 960 propriedades rurais, fornecendo suporte técnico para garantir a segurança hídrica e a qualidade da água utilizada no consumo e na produção.

A Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) funciona como a ferramenta de execução dessas metas no dia a dia do produtor. Através de capacitações, o Senar/MS orienta sobre irrigação eficiente, manejo racional de recursos naturais e uso de energias renováveis. O foco é transformar o conhecimento técnico em resultados práticos que elevem o padrão de sustentabilidade das fazendas.

A Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul) atua de forma complementar através da difusão de diagnósticos e análises técnicas. A divulgação de boletins informativos auxilia o produtor na tomada de decisões sobre conservação de solo e uso racional da água. O aprimoramento contínuo dessas práticas reafirma o compromisso do setor com a agenda global de preservação dos recursos hídricos.

As técnicas adotadas no estado provam que o desenvolvimento rural e a proteção ambiental são indissociáveis. O agro sul-mato-grossense utiliza a tecnologia para otimizar cada gota de água, garantindo que a produção de alimentos ocorra em harmonia com os ecossistemas locais. A manutenção da umidade nas áreas produtivas e a recarga dos lençóis freáticos são os resultados visíveis de um manejo consciente e planejado.