
Mato Grosso do Sul consolida sua posição como eixo central do transporte internacional na América do Sul. Durante o Simpósio Nacional de Policiamento Urbano, Ambiental e de Inteligência, o secretário Jaime Verruck apresentou o detalhamento técnico do Corredor Bioceânico. O projeto visa integrar rodovias, hidrovias e ferrovias para conectar o Oceano Atlântico ao Pacífico, otimizando o escoamento da produção estadual.
A viabilidade econômica do trajeto baseia-se na redução drástica de distâncias e tempo. Atualmente, a logística de exportação para a China percorre mais de 24 mil quilômetros. Com a operacionalização da nova rota, o percurso cai para cerca de 18,6 mil quilômetros. Essa mudança representa um ganho de eficiência de 12 a 17 dias no transporte de mercadorias destinadas aos mercados asiáticos.
O avanço das obras físicas é o principal indicador de consolidação do corredor. A ponte internacional que liga Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta (Paraguai) já atingiu 90% de execução. Com 1.294 metros de extensão, a estrutura recebe investimentos de US$ 93 milhões da Itaipu Binacional. A previsão de entrega da obra é agosto de 2026, acompanhada pelo contorno rodoviário murtinhense.
O planejamento estratégico estadual inclui a concessão da hidrovia do Rio Paraguai como peça fundamental do sistema multimodal. O projeto abrange um tramo de 600 quilômetros na região sul, incluindo o Canal do Tamengo. O plano de investimentos estima o aporte de R$ 74,3 milhões até o quinto ano de contrato, com um prazo de concessão inicial estabelecido em 15 anos.
A prioridade da gestão é assegurar a navegabilidade em diferentes regimes hidrológicos, combatendo gargalos causados por períodos de estiagem severa. A hidrovia fortalece a fronteira com Bolívia e Paraguai, ampliando a competitividade de cadeias produtivas essenciais. No Mato Grosso do Sul, os setores de proteínas animais, soja e celulose são os focos principais dessa modernização logística.
No campo ferroviário e rodoviário, o Estado se posiciona para oferecer um serviço homogêneo em toda a extensão do Corredor de Capricórnio. Este trajeto integra oito estados subnacionais de quatro países: Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. São aproximadamente 3.900 quilômetros de estradas que darão acesso aos portos chilenos de Antofagasta, Iquique e Tocopilla.
A governança internacional surge como o maior desafio para a plena operação da rota. Verruck apontou a necessidade de harmonização das legislações entre os países vizinhos para evitar interrupções no fluxo comercial. A integração de processos transfronteiriços envolve acordos fitossanitários, qualificação de motoristas e a implementação de infraestrutura de apoio, como armazéns e postos de serviço.
A recente adesão do Brasil à Convenção TIR, em fevereiro de 2026, foi citada como um marco para a desburocratização aduaneira. O sistema internacional de trânsito rodoviário reduz custos e acelera a passagem de cargas seladas entre as fronteiras. Somado a isso, o desenvolvimento do Documento de Transporte Eletrônico (DTE) busca digitalizar e dar transparência às operações de frete internacional.
“O plano diretor do corredor vai além da infraestrutura física, incluindo ações voltadas à facilitação do comércio e desenvolvimento produtivo local”, enfatizou Jaime Verruck.
O sucesso do Corredor Bioceânico depende diretamente da cooperação entre as forças de segurança pública e os gestores logísticos. O controle aduaneiro integrado e a melhoria da segurança viária são pontos fundamentais para garantir que o nível de serviço seja competitivo globalmente. Mato Grosso do Sul atua para suprir lacunas operacionais e consolidar o estado como o principal hub logístico do Centro-Oeste brasileiro.