Em Aquidauana, a artesã Maria Sibele encontrou no artesanato uma forma de ressignificar sua história e garantir o sustento familiar. A partir de um curso de amigurumi oferecido pelo Senar/MS, ela converteu memórias de infância em um negócio estruturado. Hoje, conhecida como a "Menina do Amigurumi", Maria é presença constante nas feiras da região com peças que retratam o cotidiano pantaneiro.
A busca por uma fonte de renda que permitisse o trabalho remoto foi o principal motivador. Maria precisava conciliar a atividade profissional com os cuidados dedicados ao pai e ao filho. A técnica do amigurumi, que consiste em criar bonecos tridimensionais em crochê ou tricô, ofereceu a flexibilidade necessária para que ela estabelecesse seu ateliê dentro da própria residência.
O aprendizado técnico superou a barreira da manufatura simples e atingiu o nível de gestão de tempo e produtividade. Maria relata que, após o contato com a metodologia da instituição, sua eficiência aumentou drasticamente. Atualmente, a artesã consegue finalizar uma peça por dia, marca que considera um recorde pessoal e essencial para a manutenção de seu fluxo de caixa.
A influência familiar foi o alicerce para essa transição. Criada entre costuras da mãe e o crochê da madrinha, Maria já possuía afinidade com as agulhas. O curso do Senar/MS atuou como o catalisador que profissionalizou esse talento nato. A instituição proporcionou o domínio de novas ferramentas que permitiram à artesã focar no nicho de mercado de brindes e decorações regionais.
O diferencial competitivo de Maria Sibele reside na regionalização de seus produtos. Inspirada pelos próprios pais, ela desenvolveu o "Casal Pantaneiro", personagens que carregam a iconografia local. O boneco batizado de "Alonsito" apresenta detalhes minuciosos, como o chapéu, o laço, a bainha da faca e os apetrechos típicos para o consumo do tradicional tereré sul-mato-grossense.

Essa atenção aos detalhes culturais elevou o valor agregado das peças. Além dos bonecos humanos, a fauna do Pantanal é protagonista em sua produção. Araras e capivaras são confeccionadas com acessórios personalizados, atraindo colecionadores e turistas que buscam lembranças autênticas do bioma. A personalização chega ao ponto de criar versões temáticas, como animais com trajes de noivos.
“O Senar não trouxe somente um artesanato, mas fez eu ver o Pantanal de outra forma, aqui mesmo onde eu moro”, explica Maria Sibele.
A imersão na natureza tornou-se a base de seu processo criativo. Antes da capacitação, a fauna e flora locais eram vistas como elementos comuns do cotidiano. Agora, cada animal típico observado na região de Aquidauana serve de modelo para novos projetos. Essa conexão direta com o bioma fortalece a identidade visual de sua marca e promove a conservação através da arte.
A participação em feiras locais consolidou Maria como uma empreendedora de referência na economia criativa do estado. O artesanato deixou de ser um passatempo para se tornar a fonte principal de receita da casa. Esse movimento reflete uma tendência crescente no agronegócio: a diversificação de renda das famílias que vivem em áreas rurais ou cidades dependentes do setor produtivo.
O depoimento da artesã indica que a liberdade proporcionada pelo trabalho manual é o maior ganho. A capacidade de transformar linhas e agulhas em produtos de mercado é descrita por ela como um processo de libertação. A autonomia financeira, aliada à presença constante no ambiente familiar, demonstra o impacto social positivo dos programas de formação profissional do Senar/MS.
Maria Sibele incentiva outros moradores da região a aproveitarem as oportunidades de cursos técnicos. Segundo ela, a capacitação é o caminho para que mais pessoas descubram potenciais ocultos e transformem a realidade local. O sucesso da "Menina do Amigurumi" comprova que a união entre tradição manual, técnica moderna e identidade regional gera resultados sólidos e sustentáveis.
A artesã agora foca na expansão de seu catálogo, sempre mantendo o Pantanal como eixo central. Cada ponto de crochê dado em seu ateliê em Aquidauana representa a força da mulher pantaneira. O trabalho de Maria segue como um elo entre a herança cultural de seus antepassados e as exigências do mercado consumidor contemporâneo, que valoriza cada vez mais o produto feito à mão.
