O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) finalizaram nesta semana as negociações sanitárias que ampliam a capilaridade do agronegócio brasileiro no exterior. Os novos acordos permitem o embarque de macadâmia e castanha de caju para a Turquia, além de autorizar a venda de carne suína resfriada para Singapura.
As autorizações chegam em um momento de consolidação das relações comerciais com ambos os destinos. A Turquia figura como um dos principais compradores globais de castanha de caju, e o acesso direto para os produtores brasileiros elimina barreiras que limitavam o potencial de faturamento do setor de nozes e castanhas, especialmente nas regiões Nordeste e Sudeste.
A entrada da carne suína resfriada em Singapura representa um salto qualitativo para a indústria frigorífica nacional. Diferente do produto congelado, o item resfriado exige logística ágil e processos de conservação rigorosos, o que resulta em preços de venda superiores. O mercado asiático já é um parceiro histórico, mas a nova modalidade de exportação foca em nichos de consumo de alto padrão no país insular.
DADO DO SETOR: Em 2025, o Brasil exportou US$ 3,2 bilhões em produtos agropecuários para a Turquia e US$ 710 milhões para Singapura, com destaque para o complexo soja, fibras e proteínas.
O mercado turco é um comprador tradicional de commodities brasileiras de baixo processamento. No ano anterior, as vendas foram lideradas por soja em grão, algodão e café verde. A inclusão da macadâmia e da castanha de caju na pauta exportadora diversifica o portfólio e oferece segurança para o produtor brasileiro, que passa a contar com um mercado de consumo robusto e em crescimento.
A produção nacional de macadâmia tem registrado avanços em tecnologia de colheita e processamento, buscando atender exigências internacionais de classificação. Com o sinal verde das autoridades turcas, as tradings e cooperativas brasileiras podem planejar embarques diretos, reduzindo a dependência de intermediários europeus que reexportavam o produto nacional para o Oriente Médio e Ásia Menor.
O comunicado oficial do governo aponta que a abertura facilitará o fechamento de contratos de longo prazo. A Turquia utiliza as nozes brasileiras tanto para consumo direto quanto para a indústria de doces e panificação, setor que movimenta bilhões de dólares na região do Mediterrâneo.
Para Singapura, a autorização para carne suína resfriada é vista como um selo de qualidade para a vigilância sanitária brasileira. O país asiático possui padrões de segurança alimentar elevadíssimos e a permissão para produtos in natura não congelados atesta a eficiência da cadeia de frio e do controle de patógenos nos frigoríficos nacionais.
No acumulado de 2025, Singapura importou volumes significativos de carnes e café do Brasil. A introdução do suíno resfriado atende a uma demanda de supermercados e restaurantes de luxo que priorizam a textura e o sabor original da proteína, características mais preservadas nesta modalidade de transporte.
O governo avalia que essa medida elevará o ticket médio das exportações para a Ásia. O produtor de suínos, que enfrenta desafios com os custos de nutrição animal, encontra nesta abertura uma oportunidade de escoar cortes nobres para um mercado que paga prêmios por qualidade e frescor.
MARCO HISTÓRICO: Desde o início de 2023, o Brasil contabiliza 548 aberturas de mercado, abrangendo produtos de origem animal e vegetal em todos os continentes.
A viabilização desses novos mercados decorre da atuação direta das adidâncias agrícolas e do corpo diplomático. O trabalho conjunto entre o Mapa e o Itamaraty foca na derrubada de barreiras não tarifárias, que muitas vezes impedem o acesso de produtos brasileiros mesmo quando há competitividade de preço.
O fluxo de negociações inclui auditorias remotas, trocas de certificados sanitários e visitas técnicas. Esse alinhamento garante que as plantas processadoras brasileiras estejam em conformidade com as leis locais de cada país importador antes mesmo do primeiro embarque.
Os exportadores agora iniciam a fase de prospecção comercial e logística. No caso das castanhas para a Turquia, o foco inicial deve ser o transporte marítimo via contêineres secos. Já para a carne suína em Singapura, as empresas devem priorizar o transporte aéreo ou marítimo em contêineres com atmosfera controlada para garantir a vida útil do produto resfriado no destino final.