A recente movimentação do mercado internacional tem ampliado a pressão sobre o planejamento do produtor brasileiro ao combinar queda nas cotações da soja e alta nos custos de insumos. A avaliação é de Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado.
Segundo o analista, os preços da soja negociados em Chicago registraram forte queda, superior a 55 pontos, o que representa uma desvalorização próxima de 5% para a oleaginosa. O movimento ocorre após um período de alta e evidencia a volatilidade no mercado internacional de commodities.
Enquanto a soja recua, o mercado de fertilizantes segue em trajetória oposta. A China anunciou novas restrições às exportações de fertilizantes fosfatados, incluindo produtos como super simples, DSP e TSP. A medida amplia limitações já existentes e tende a impactar o Brasil, que no ano passado importou grandes volumes desses insumos do país asiático. Os chineses, inclusive, se tornaram os maiores fornecedores de fertilizantes para o mercado brasileiro.
Esse cenário pressiona diretamente a relação de troca, indicador utilizado pelos produtores para medir o poder de compra. Com a soja em queda e fertilizantes em alta, o custo relativo para aquisição de insumos aumenta. No interior do Brasil, há relatos de negociações de MAP próximas de mil dólares, com pagamento previsto para maio.
No caso do potássio, os preços também subiram, mas de forma mais gradual. Já a ureia segue em patamares elevados. Entre os nutrientes, a maior preocupação do mercado está concentrada nos fosfatados, diante das incertezas sobre a oferta global.
Atualmente, cerca de 65% das compras de fertilizantes para a soja ainda precisam ser realizadas no Brasil, o que mantém o mercado aberto e pode gerar um choque de demanda ao longo de 2026. Simulações apontam que produtores que adquiriram insumos em outubro do ano passado podem ter uma vantagem de até três sacas por hectare em comparação com compras realizadas agora, ampliando os desafios para o próximo ciclo agrícola.