Mercado agrícola abre semana com sinais mistos
Publicado em 16/03/2026 10h01

Mercado agrícola abre semana com sinais mistos

Na soja, o início da semana é de perdas mais intensas em Chicago.
Por: Leonardo Gottems

Os mercados agrícolas iniciam a semana com movimentos distintos entre os principais grãos e atenção redobrada de investidores a fatores climáticos, geopolíticos e ao comportamento dos fundos nas bolsas internacionais. Segundo a TF Agroeconômica, a abertura desta segunda-feira, 16 de março, mostra pressão mais forte sobre a soja em Chicago, recuo também no trigo e sustentação relativa para o milho, em um ambiente ainda marcado por incertezas externas e pela influência do setor de energia.

No trigo, os contratos futuros operam em baixa na CBOT, enquanto o mercado segue acompanhando o peso geopolítico do cereal no comércio global de alimentos. Além de sua relevância estratégica, o grão continua sendo tratado como um ativo sensível a riscos internacionais. No campo climático, a atenção permanece voltada às lavouras de trigo de inverno HRW nas Grandes Planícies do sul dos Estados Unidos, onde o déficit hídrico persistente agora se soma a uma elevação acentuada das temperaturas, com marcas previstas até 10 graus Celsius acima do normal para este período. No físico, o Paraná registra R$ 1.219,92, com alta diária de 0,22% e avanço mensal de 3,55%, enquanto o Rio Grande do Sul fica em R$ 1.093,06, estável no dia e com queda de 0,52% no mês.

Na soja, o início da semana é de perdas mais intensas em Chicago. Os principais contratos recuam quase 30 pontos, em queda superior a 2%, e o movimento se espalha também para o farelo e o óleo de soja. A leitura é de que, após um fechamento mais cauteloso na última sexta-feira, o mercado ficou mais vulnerável à realização de lucros, já que fundos especulativos mantêm posição comprada relevante no complexo soja.

Já o milho apresenta comportamento diferente e continua amparado pelo fluxo dos fundos de investimento. O suporte vem do posicionamento recente da CFTC, que apontou a semana mais intensa de compras de milho em sete anos, reforçando o interesse do mercado na conexão entre o cereal e o setor de energia por meio do etanol nos Estados Unidos.