
Foto: Gabriel Barros
O Rio Grande do Sul tornou-se, nesta semana, o epicentro da pecuária de corte internacional. Teve início em Uruguaiana a gira técnica do Congresso Mundial Brangus, evento que congrega criadores, técnicos e entusiastas de nações como Argentina, Paraguai, Bolívia e México. A programação começou com visitas a propriedades que são pilares da raça, destacando a consistência produtiva e a tradição genética que colocam o Brasil na liderança do setor.
A primeira parada da comitiva internacional foi na Tellechea & Associados, onde os visitantes puderam conferir animais que exemplificam o padrão racial e a adaptabilidade do Brangus. Na sequência, a tradicional GAP Genética, também em Uruguaiana, abriu suas porteiras para mostrar o trabalho de seleção que une ciência e performance a campo.
Para o presidente do Núcleo Brangus Sul, Gabriel Barros, começar a gira pelo estado é uma decisão estratégica que honra a história da raça. "São propriedades com forte representatividade, que trabalham com o Brangus há bastante tempo e carregam consistência produtiva", explica. O estado é, hoje, o maior detentor da genética da raça no país, concentrando mais de 50% dos animais registrados no Brasil.
A gira técnica segue um cronograma rigoroso pelo pampa gaúcho antes de partir para a etapa paranaense. O objetivo é permitir que os criadores estrangeiros observem o desempenho dos animais em diferentes condições de manejo e solo:
13/03 (Sexta): Visita à Sigma Brangus, em Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai.
14/03 (Sábado): Parada na Brangus La Estancia, em Pantano Grande, fechando o roteiro no Rio Grande do Sul.
Após as visitas de campo, o foco do Congresso Mundial se desloca para Londrina (PR). No Parque Ney Braga, o gado gaúcho — que representa a maioria dos exemplares em pista — já está preparado para as exposições e julgamentos. Essa segunda etapa é considerada o ponto alto para o fechamento de negócios e intercâmbio de sêmen e embriões entre os países participantes.
O protagonismo do Rio Grande do Sul no Mundial não é coincidência. Por ser uma raça sintética (3/8 Zebu e 5/8 Taurus), o Brangus encontrou no Sul o clima ideal para expressar sua precocidade e qualidade de carne, sem perder a rusticidade necessária para as pastagens naturais do bioma Pampa.
| Indicador da Raça | Representatividade | Importância no Mundial |
| Rebanho no RS | > 50% dos registros nacionais | Base genética para exportação. |
| Participantes | 11 Países | Intercâmbio de biotecnologia. |
| Roteiro RS | 4 Grandes Criatórios | Demonstração de manejo a pasto. |
| Próxima Parada | Londrina (PR) | Julgamentos e vitrine comercial. |
2026 está sendo um ano emblemático para os criadores de Brangus. Além da honra de sediar o Congresso Mundial, a associação já prepara a ExpoBrangus, que ocorrerá em maio, novamente em Uruguaiana. Esse conjunto de eventos reforça a marca "Brangus Brasil" no mercado global de proteína premium, atraindo investidores interessados em animais capazes de produzir carcaças pesadas e com excelente marmoreio em climas subtropicais.
As atividades do Congresso Mundial podem ser acompanhadas em tempo real pelas redes sociais das associações organizadoras, onde a "gira do conhecimento" conecta o campo brasileiro às principais tendências da pecuária mundial.