A articulação política das principais lideranças do agronegócio brasileiro convergiu em uma medida estratégica para o campo: a redução temporária de tributos federais sobre o óleo diesel. O anúncio ocorre após uma ofensiva da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) junto ao Ministério da Fazenda, motivada pela disparada nos preços internacionais do petróleo.
O movimento teve a participação direta de Marcelo Bertoni, presidente do Sistema Famasul e diretor-secretário da CNA. A entidade nacional apresentou ao governo a necessidade urgente de desoneração para evitar um colapso nas margens do produtor rural, que já lida com a volatilidade das commodities e o encarecimento logístico.
No centro da negociação estão tributos que incidem sobre a importação, produção e comercialização do combustível. A proposta acolhida pelo governo foca no PIS, Pasep e Cofins. Somadas, essas contribuições representam aproximadamente 10,5% do valor final do diesel nas bombas, um peso significativo para quem opera frotas pesadas e maquinário agrícola.
A decisão chega em um momento em que estados como Mato Grosso do Sul enfrentam um calendário acelerado, com a colheita da soja e o plantio da segunda safra de milho ocorrendo simultaneamente. A elevação do combustível neste período gera um efeito cascata imediato, encarecendo desde a operação das colheitadeiras até o frete rodoviário para os portos.
Segundo Marcelo Bertoni, o aumento do diesel traz instabilidade jurídica e econômica para o setor. Com a queda recente no preço da soja em Chicago, o custo de produção elevado poderia eliminar completamente a rentabilidade da atual temporada. "O aumento nos custos traz instabilidade em um momento de margens já apertadas", explicou o dirigente durante as articulações em Brasília.
A preocupação das entidades não se restringe apenas à porteira para dentro. Há um entendimento claro de que o diesel caro é um dos principais motores da inflação de alimentos. Como a maior parte da produção brasileira circula por rodovias, o repasse de custos para os supermercados seria inevitável sem a intervenção tributária.
A redução dos impostos busca blindar o consumidor final e manter a competitividade das exportações brasileiras. Ao reduzir a carga sobre o insumo básico do transporte, o governo tenta segurar os preços de itens essenciais na mesa da população, evitando que a crise energética externa se transforme em uma crise social interna.
"Essa preocupação não é apenas para o produtor rural, mas para que isso não chegue à gôndola do supermercado, onde a população acaba pagando o preço", alertou Bertoni.
A medida foi recebida pelo Sistema Famasul como uma prova da força da representatividade institucional do agro. A atuação conjunta entre federações estaduais e a confederação nacional permitiu que o pleito chegasse ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) com dados técnicos robustos sobre o impacto do petróleo na economia real.
Embora a redução seja temporária, ela oferece o fôlego necessário para que o setor atravesse o pico da demanda logística da safra 2025/2026. O setor agora monitora a implementação da medida nas distribuidoras para garantir que o desconto chegue efetivamente à ponta, beneficiando o produtor que está no campo.
A solicitação da CNA defendia a redução imediata de tributos que representam cerca de 10,5% do valor do diesel comercializado no país.