A escalada das tensões no Oriente Médio atingiu um novo patamar de gravidade nesta quarta-feira (11), com o governo do Irã emitindo um alerta severo: o mercado global deve se preparar para o petróleo a US$ 200 por barril. A declaração surge em meio a ataques diretos contra embarcações mercantes e o bloqueio de rotas estratégicas.
A Agência Internacional de Energia (AIE) já reagiu ao cenário de instabilidade. A recomendação da entidade é a liberação imediata e massiva de cerca de 400 milhões de barris de reservas estratégicas. A medida busca conter o que especialistas já classificam como um dos piores choques energéticos desde a década de 1970.
Para o agronegócio brasileiro, o cenário é de alerta máximo. A alta nas cotações internacionais do petróleo impacta diretamente o frete logístico e o custo de produção, especialmente em defensivos e fertilizantes nitrogenados. O câmbio e a inflação de custos tornam-se variáveis de difícil controle para o produtor rural.
A guerra, iniciada há quase duas semanas por ataques aéreos conjuntos dos Estados Unidos e Israel, já contabiliza cerca de 2 mil vítimas. O conflito transbordou para o Líbano e instaurou o caos nas rotas de transporte marítimo, essenciais para o escoamento de commodities e abastecimento de energia.
Mesmo sob intensos bombardeios, o Irã demonstrou capacidade de retaliação ao disparar contra alvos em todo o Oriente Médio. Nesta quarta-feira, três embarcações foram atingidas nas águas do Golfo Pérsico. A Guarda Revolucionária iraniana confirmou os disparos, alegando desobediência dos navios às suas ordens de navegação.
"Preparem-se para que o petróleo chegue a US$ 200 o barril, porque o preço depende da segurança regional desestabilizada por vocês", afirmou Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando militar iraniano.
O principal gargalo logístico mundial, o Estreito de Ormuz, permanece sob ameaça direta. Por esse canal transita aproximadamente um quinto de todo o petróleo consumido no planeta. Relatos indicam que o Irã implantou cerca de uma dúzia de minas navais no canal, inviabilizando a passagem segura de petroleiros.
O governo dos EUA, por meio de Donald Trump, sinalizou que as forças norte-americanas destruíram 28 navios iranianos que lançavam minas. No entanto, o Departamento de Estado emitiu um alerta sobre possíveis ataques da milícia iraniana a infraestruturas de energia dos EUA no Iraque, incluindo a região do Curdistão.
Após atingirem US$ 120 no início da semana e recuarem para US$ 90, os preços do petróleo voltaram a subir quase 5% nesta quarta-feira. O movimento acompanhou a queda nos principais índices de Wall Street, refletindo o temor de uma interrupção prolongada no fornecimento global de energia.
Em contrapartida, o Secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, afirmou que as petroleiras norte-americanas devem anunciar em breve um aumento na produção doméstica. A estratégia visa responder aos sinais de preço, embora a velocidade de extração e a liberação de reservas estratégicas não supram o déficit gerado pelo bloqueio no Golfo.
A violência no mar já resultou em danos a 14 navios mercantes desde o início das hostilidades. Entre os incidentes mais recentes, um graneleiro de bandeira tailandesa foi incendiado, além de avarias registradas em um porta-contêineres japonês e outro graneleiro das Ilhas Marshall.
O cenário interno no Irã permanece de forte controle estatal. Apesar dos bombardeios noturnos em Teerã e da fumaça de petróleo que atinge a capital, o governo clerical mantém o comando. A polícia local advertiu que manifestações populares serão tratadas com força militar máxima, mantendo o regime em pé de prontidão.
Israel, por sua vez, mantém a posição de que a operação militar continuará sem limite de tempo. O objetivo declarado é destruir a capacidade de projeção de força do Irã e desmantelar seu programa nuclear. Enquanto o impasse persiste, o setor produtivo global monitora o preço da energia como o principal termômetro da crise.
Na data de hoje, o Pentágono confirmou que a lista de alvos no Irã ainda inclui instalações de mísseis balísticos e centros de pesquisa nuclear.