A orientação atual para o mercado de milho é de atenção ao momento de alta dos preços e cautela diante das mudanças previstas para os próximos meses. Segundo análise da TF Agroeconômica, o movimento positivo observado recentemente tende a perder força com a definição e a chegada da colheita da segunda safra brasileira, prevista para ganhar ritmo entre junho e julho.
A consultoria avalia que a valorização recente ocorreu à medida que a primeira safra foi sendo colhida e rapidamente absorvida pelo mercado, já que o volume é menor. Esse cenário ajudou a sustentar as cotações no curto prazo, mas a expectativa é de pressão quando a oferta da safrinha entrar de forma mais intensa no mercado. Na B3, os contratos da safrinha fecharam a semana em R$ 70,95 por saca, patamar considerado elevado e que dificilmente deverá se manter durante o período de maior oferta.
Um fator que pode alterar esse cenário é o ambiente geopolítico internacional. Conflitos que afetam o mercado de energia tendem a influenciar diretamente o milho por meio da demanda por etanol. A guerra pode afetar o mercado brasileiro de duas formas distintas. De maneira negativa, caso haja redução nas exportações de carnes, o que diminuiria a demanda interna por ração. Por outro lado, pode ter efeito positivo se elevar a procura por biocombustíveis.
A análise aponta que a duração do conflito e suas consequências geopolíticas devem ser acompanhadas com atenção, pois podem alterar o equilíbrio entre oferta e demanda. Caso o cenário de tensão se prolongue, existe a possibilidade de sustentação ou até elevação das cotações no Brasil. Mesmo assim, a tendência predominante no curto prazo ainda é de pressão com o avanço da colheita da safrinha.
No cenário internacional, os contratos de milho fecharam a semana em alta em Chicago, registrando a segunda valorização semanal consecutiva. Fundos de investimento foram compradores líquidos de cerca de 15 mil contratos na sessão, contribuindo para o avanço das cotações.
Entre os fatores de sustentação estão a valorização do petróleo, que melhora as perspectivas para a demanda por etanol nos Estados Unidos, e o forte desempenho das exportações norte americanas. Dados do USDA indicam embarques acumulados de 64,98 milhões de toneladas, o equivalente a 77,52% da meta prevista para a safra 2025/26.
No mercado brasileiro, o indicador de preços mostrou recuperação após atingir um fundo técnico próximo de R$ 65,80 por saca. Nas últimas semanas, as cotações voltaram a superar a faixa de R$ 70 por saca, com resistência entre R$ 70,50 e R$ 71,00 e suporte inicial próximo de R$ 69,00.