Produção de soja mostra contrastes entre regiões
Publicado em 09/03/2026 08h01

Produção de soja mostra contrastes entre regiões

No Mato Grosso do Sul, a colheita também avança com avanço entre 27,7% e 43,9% da área.
Por: Leonardo Gottems

A safra de soja no Brasil apresenta cenários distintos entre os principais estados produtores, com impactos do clima, da logística e do ritmo de colheita influenciando a produtividade e a formação dos preços. Levantamento da TF Agroeconômica aponta que as condições variam significativamente entre as regiões, com perdas relevantes no Sul e avanço acelerado da colheita no Centro-Oeste.

No Rio Grande do Sul, a estiagem prolongada associada a temperaturas elevadas provoca perdas severas nas lavouras. O estresse hídrico atingiu a soja no período crítico de enchimento de grãos, reduzindo peso e qualidade dos grãos. As perdas estimadas já chegam a 2,71 milhões de toneladas, o que representa redução de 13% em relação à expectativa de safra cheia. No mercado físico, a menor oferta e a retenção de grãos pelos produtores elevam os preços. Em Ijuí, Cruz Alta, Passo Fundo e Santa Rosa, a saca é negociada a R$ 119,00, enquanto no porto de Rio Grande chega a R$ 131,18.

Em Santa Catarina, o cenário é de maior estabilidade. A produtividade média deve crescer até 28% em algumas regiões, resultado do uso intensivo de tecnologia, sementes de alto potencial genético e manejo de solo aprimorado. Mesmo com retração de 1,64% na área plantada, o volume produzido tende a garantir o abastecimento das agroindústrias locais. No porto de São Francisco do Sul, a saca é cotada a R$ 130,10.

No Paraná, a colheita avança rapidamente, alcançando entre 20% e 42% da área plantada, dependendo da região. O ritmo acelerado gera pressão sobre a capacidade de armazenamento, levando ao escoamento mais intenso da produção para o porto de Paranaguá. Em Cascavel, a saca foi negociada a R$ 118,00, em Maringá a R$ 117,50 e em Ponta Grossa a R$ 121,50.

No Mato Grosso do Sul, a colheita também avança com avanço entre 27,7% e 43,9% da área, segundo o SIGA-MS. A temporada é marcada por custos elevados de produção e pela incidência de ferrugem asiática em diversas lavouras. Em Dourados, o preço chegou a R$ 110,00, enquanto em Campo Grande foi de R$ 109,50.

No Mato Grosso, a colheita se aproxima do fim com perspectiva de safra recorde, conforme projeções do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária. Apesar do alto volume produzido, a forte demanda por transporte eleva o custo do frete e reduz as margens dos produtores. Em Rondonópolis, a saca foi negociada a R$ 111,00, enquanto em Sorriso ficou em R$ 101,70.