Pesquisa da Embrapa reduz custo da silagem de milho para R$ 217 a tonelada
Publicado em 28/02/2026 00h15

Pesquisa da Embrapa reduz custo da silagem de milho para R$ 217 a tonelada

Embrapa Cerrados apresenta em Vazante (MG) estratégias que elevaram a produtividade do milho para silagem de 30 para 41 toneladas por hectare.
Por: Redação

A pecuária leiteira no noroeste de Minas Gerais enfrenta um desafio silencioso que compromete a rentabilidade das propriedades: a degradação da saúde do solo. Um diagnóstico recente em lavouras de milho para silagem revelou que 70% das propriedades familiares possuem níveis baixos ou muito baixos de matéria orgânica. Esse cenário reduz a resiliência das plantas aos veranicos, períodos de estiagem comuns na região que castigam a produtividade do volumoso.

Para enfrentar essa realidade, a Embrapa Cerrados, em parceria com a Nexa Resources e a ADVAZ, promoveu um dia de campo na localidade de Vazamor, em Vazante (MG). O evento, realizado na propriedade dos agricultores José Maria Furtado e Edna Regina de Oliveira, reuniu cerca de 50 produtores para apresentar os resultados de uma Unidade de Referência Tecnológica (URT) que integrou manejo químico, biológico e nutricional.

A proposta foi demonstrar que, com ajustes técnicos acessíveis, é possível transformar a "fragilidade produtiva" em estabilidade. Ao manter o sistema tradicional e incorporar novas camadas tecnológicas, a URT não apenas aumentou o volume de alimento disponível para o gado, mas também reduziu o impacto financeiro no bolso do produtor, tornando a atividade leiteira mais sustentável.

Tecnologias para vencer o estresse hídrico

O aprofundamento do sistema radicular foi a primeira estratégia adotada. Através da aplicação de gesso agrícola, os técnicos promoveram o fornecimento de cálcio e enxofre em profundidade, neutralizando limitações químicas nas camadas subsuperficiais. Isso permite que as raízes do milho busquem água em níveis mais profundos do solo, garantindo a sobrevivência e o desenvolvimento da planta mesmo durante os veranicos.

Complementando a proteção contra a seca, foi utilizado o bioinsumo Auras. Desenvolvido pela Embrapa, este produto atua no estímulo fisiológico da cultura, mitigando os efeitos do déficit hídrico. A tecnologia favorece o equilíbrio metabólico, permitindo que o milho mantenha seu potencial de crescimento vegetativo mesmo sob condições de estresse ambiental.

"A aplicação de gesso agrícola favorece o aprofundamento das raízes, aumentando a capacidade de absorção de água, algo essencial em regiões sujeitas a veranicos", alerta o pesquisador José Humberto Xavier.

A terceira frente de atuação focou na eficiência nutricional. O manejo da adubação de cobertura foi intensificado, elevando a dose total para até 100 kg de nitrogênio por hectare. Por ser uma cultura altamente exigente em N para a formação de biomassa, esse ajuste foi decisivo para maximizar a produção de matéria verde, impactando diretamente no volume final da silagem estocada.

Resultados: Produtividade em alta e custos em queda

Os números apurados pela equipe técnica, liderada pela agrônoma Nauíze Cristina Borges e pela veterinária Andressa Guimarães, confirmaram a eficácia do pacote tecnológico. O sistema tradicional da fazenda registrou uma produtividade de 30.636 kg/ha. Já o modelo proposto pela URT saltou para 41.288 kg/ha, um ganho de aproximadamente 34% em matéria verde.

Mais do que volume, a eficiência econômica foi o grande destaque. A maior produtividade diluiu os custos fixos, reduzindo o valor por tonelada produzida. Enquanto no sistema antigo o custo era de R$ 261,09/t, no modelo tecnológico da Embrapa o valor caiu para R$ 217,10/t. Essa diferença aumenta a margem líquida do produtor de leite, que passa a ter um alimento de melhor qualidade por um preço menor.

Sistema de Produção Produtividade (kg/ha) Custo por Tonelada (R$)
Sistema Tradicional 30.636 R$ 261,09
Modelo URT (Embrapa) 41.288 R$ 217,10
Diferença/Ganho + 10.652 kg - R$ 43,99

Pesquisa participativa e manejo conservacionista

A metodologia aplicada no projeto Nexa Transforma baseia-se na assistência técnica contínua para uma rede de 40 fazendas de leite. O diferencial é a pesquisa participativa, onde o produtor testa as alternativas em condições reais de campo. Segundo o analista Carlos Eduardo Santos, essa proximidade permite que o agricultor compreenda o gerenciamento técnico e econômico de sua própria área.

Um caso de sucesso apresentado durante o evento foi o uso de esterco bovino associado ao sistema de plantio direto sobre a palha. Em uma área específica da lavoura sob esse manejo conservacionista, a produção de matéria verde superou as 54 toneladas por hectare. Este resultado reforça a importância de elevar os níveis de matéria orgânica para garantir a fertilidade e a retenção de umidade no solo a longo prazo.

Para o agricultor José Maria Furtado, anfitrião do evento, o caminho para a rentabilidade passa necessariamente pela busca constante de conhecimento. A satisfação com os resultados obtidos na URT servirá de estímulo para que outros produtores da região de Vazante adotem as recomendações, fortalecendo a bacia leiteira do noroeste mineiro.

A Embrapa Cerrados continuará monitorando as áreas para gerar informações adaptadas às microrregiões do Cerrado mineiro.