Aviação agrícola cresce 5,25% e Brasil atinge 2.866 aeronaves em 2025
Publicado em 25/02/2026 18h27

Aviação agrícola cresce 5,25% e Brasil atinge 2.866 aeronaves em 2025

Brasil encerra 2025 com 2.866 aeronaves agrícolas, crescimento de 5,25%, mantendo-se como a segunda maior potência mundial atrás dos EUA.
Por: Redação

A aviação agrícola brasileira reafirma sua posição como pilar estratégico para a alta produtividade do campo. Durante a 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, em Capão do Leão (RS), o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) lançou a "Análise da Frota Aeroagrícola Brasileira 2025". Os dados revelam que o país atingiu a marca histórica de 2.866 aeronaves tripuladas, consolidando uma expansão de 5,25% em relação ao período anterior.

Este crescimento não é um fenômeno isolado, mas uma trajetória consistente. Desde 2009, quando a frota contava com 1.498 unidades, o setor praticamente dobrou de tamanho. O relatório da General Aviation Manufacturers Association (GAMA) já aponta o Brasil como o principal mercado internacional para este segmento, evidenciando que a modernização tecnológica e o fortalecimento das commodities, como soja e algodão, impulsionam a demanda por aplicações aéreas precisas.

A análise, elaborada pelo diretor operacional do Sindag, Cláudio Júnior Oliveira, destaca que o avanço vai além dos números. Há uma clara transformação estrutural: o setor está mais profissionalizado. O movimento de aeronaves migrando de operadores privados para empresas de Serviços Aéreos Especializados (SAE) indica que o produtor rural prefere, cada vez mais, contratar especialistas para garantir escala e conformidade regulatória.

Mato Grosso amplia domínio regional

A geografia da frota aeroagrícola segue o rastro das grandes culturas de sequeiro. Mato Grosso consolidou sua liderança absoluta com 803 aeronaves, o que representa 27,5% de toda a frota nacional. O estado é o epicentro da demanda devido às extensas áreas de soja e milho safrinha, onde a janela de aplicação é curta e exige a rapidez que apenas os aviões proporcionam.

O Rio Grande do Sul aparece na segunda posição, com 398 aeronaves, sendo um mercado tradicional e robusto, especialmente para o cultivo de arroz irrigado. São Paulo (328) e Goiás (320) completam o grupo dos quatro estados que concentram mais da metade dos aviões agrícolas do país. Essa concentração reflete onde o investimento tecnológico em mecanização e aviação é mais intensivo.

Estado Número de Aeronaves (2025) Participação na Frota (%)
Mato Grosso 803 27,5%
Rio Grande do Sul 398 13,9%
São Paulo 328 11,4%
Goiás 320 11,1%

Tecnologia: O embate entre Nacional e Importado

A frota brasileira apresenta um equilíbrio interessante entre a indústria doméstica e a estrangeira. Atualmente, 51% das aeronaves são de fabricação nacional, com a Embraer mantendo o protagonismo através do icônico modelo Ipanema. O uso do etanol como combustível nestes modelos transformou o Brasil em uma referência global em sustentabilidade aeroagrícola, reduzindo custos operacionais e a pegada de carbono.

Por outro lado, as aeronaves importadas já respondem por 49% do mercado. O crescimento da frota turboélice, liderada pela norte-americana Air Tractor, é impulsionado pela necessidade de maior capacidade de carga e velocidade em propriedades de larga escala. Esses modelos permitem cobrir áreas maiores em menos tempo, otimizando o custo por hectare aplicado.

"Os dados revelam transformações estruturais, como o avanço da profissionalização e a modernização gradual da frota brasileira", destaca Gabriel Colle, diretor-executivo do Sindag.

O início da era autônoma

O relatório de 2025 traz um fato inédito que sinaliza o futuro do setor: o registro do primeiro avião agrícola 100% autônomo no Brasil, o Pyka Pelican. Embora seja apenas uma unidade em meio a quase 2,9 mil tripuladas, o registro simboliza a abertura de uma nova fronteira tecnológica. A convivência entre sistemas tripulados e autônomos deve marcar a próxima década, visando aumentar a segurança operacional e a precisão em áreas de difícil acesso.

Com a consolidação desses números, o Brasil se firma como a segunda maior potência mundial do setor, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, que operam cerca de 3,6 mil aeronaves. A infraestrutura aeroagrícola nacional mostra-se resiliente a crises, provando que a tecnologia de aplicação aérea é indispensável para a segurança alimentar e para o sucesso das exportações brasileiras.

A Análise da Frota 2025 completa está disponível para consulta no portal oficial do Sindag.