Conheça o sorgo gigante da Embrapa que produz 80 toneladas por hectare
Publicado em 24/02/2026 07h00

Conheça o sorgo gigante da Embrapa que produz 80 toneladas por hectare

Embrapa e Latina Seeds lançam o sorgo gigante BRS 662, com produtividade de 80 t/ha e rebrota de 60%, ideal para nutrição animal e biogás em MS.
Por: Redação

A pecuária brasileira ganha um novo aliado para enfrentar os desafios de produtividade e resiliência climática. A Embrapa Milho e Sorgo, em parceria com a Latina Seeds, oficializa o lançamento do híbrido de sorgo forrageiro gigante BRS 662, comercializado sob a marca LAS6002F. A nova cultivar chega ao mercado com a promessa de entregar volume e qualidade nutricional, sendo uma alternativa estratégica tanto para a primeira quanto para a segunda safra.

O grande diferencial deste híbrido é o seu porte. Com altura média variando entre 4 e 5 metros, o BRS 662 apresenta um potencial produtivo que impressiona: supera 80 toneladas de massa verde por hectare em um único corte. O ciclo, considerado precoce para essa categoria, completa-se em até 125 dias, permitindo um planejamento mais ágil dentro da janela agrícola das principais regiões produtoras do país.

Além do rendimento bruto, a estabilidade de produção é um ponto forte. O sorgo gigante foi testado e recomendado para o Centro-Oeste e Sudeste, apresentando desempenho consistente em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. Essa adaptabilidade é fundamental para produtores que buscam segurança alimentar para o rebanho em anos de instabilidade pluviométrica, característica marcante da cultura do sorgo.

Qualidade nutricional e múltiplos usos

A composição bromatológica do BRS 662 foi planejada para atender a demandas diversas. A forragem é rica em celulose e hemicelulose, mas apresenta baixos teores de lignina, fator que melhora a digestibilidade para os ruminantes. Essa característica torna o híbrido ideal para a produção de silagem de alta qualidade, garantindo que o volume produzido se reverta efetivamente em ganho de peso ou produção de leite.

A versatilidade tecnológica do material permite que ele seja explorado além da cocho. Sua biomassa é apta para a produção de biogás e cogeração de energia, setores que crescem aceleradamente em estados como Mato Grosso do Sul. Com um baixo custo de produção em comparação ao milho silagem, o sorgo gigante se posiciona como um insumo de alto valor agregado para indústrias de bioenergia e confinamentos de larga escala.

"O BRS 662 apresenta sanidade muito boa em relação a doenças fúngicas severas, como a antracnose, a helmintosporiose e a cercosporiose", destaca o pesquisador da Embrapa, Rafael Parrella.

Capacidade de rebrota e manejo técnico

Outro fator que eleva a rentabilidade do produtor é a elevada capacidade de rebrota do híbrido. Dados técnicos indicam que, após o primeiro corte, a planta pode alcançar até 60% da produção original na segunda etapa. Esse benefício permite que o pecuarista maximize o uso da terra e dos fertilizantes aplicados, obtendo uma segunda colheita com investimento reduzido em sementes e preparo de solo.

A resistência ao acamamento, problema comum em materiais de porte alto, foi uma das prioridades no desenvolvimento genético. Mesmo atingindo 5 metros de altura, o BRS 662 possui colmos robustos que garantem a sustentação da planta até o momento da colheita. Os grãos de coloração marrom completam o perfil técnico do material, que demonstra excelente sanidade foliar durante todo o ciclo vegetativo.

Característica Especificação Técnica
Potencial Produtivo > 80 t/ha (massa verde)
Altura da Planta 4 a 5 metros
Ciclo de Colheita Até 125 dias
Rebrota Esperada Até 60% da safra principal
Recomendação de Plantio 120 a 130 mil sementes/ha

A profissionalização do mercado de sorgo segue a tendência das grandes commodities. O BRS 662 está sendo comercializado em sacas de 150 mil sementes, abandonando a antiga venda por quilos. Essa mudança permite um ajuste preciso da população de plantas por hectare, evitando desperdícios e garantindo o fechamento ideal do estande na lavoura. As sementes já saem de fábrica com tratamento industrial contra insetos e fungos.

Mercado e expansão em 2026

O lançamento oficial ocorre em 11 de março de 2026, integrando as comemorações de 50 anos da Embrapa Milho e Sorgo. A Latina Seeds, parceira no projeto, projeta um crescimento agressivo para as próximas temporadas. Para 2026, foram disponibilizadas 10 mil sacas, volume que deve triplicar na safra seguinte para atender uma área estimada em mais de 30 mil hectares em todo o Brasil e no Paraguai.

O diretor-executivo da Latina Seeds, William Sawa, ressalta que o foco principal são as 238,18 milhões de cabeças de gado do rebanho nacional. Segundo ele, o "sorgão" é a resposta para a demanda crescente por forragem volumosa em sistemas intensivos. A parceria entre a pesquisa pública e o capital privado permitiu a criação de uma solução disruptiva, que entrega o grão (panícula) já na primeira safra, algo inédito em variedades gigantes anteriores.

O manejo correto é indispensável para atingir os recordes de produtividade. Especialistas recomendam a realização de análise de solo para adubação específica, além do controle rigoroso de lagartas e pulgões na fase vegetativa. O uso de fungicidas para preservar a área foliar é outra estratégia recomendada para garantir que a silagem final mantenha os níveis proteicos desejados.

A cultura do sorgo expande-se no Brasil impulsionada por sua resiliência ao estresse hídrico. Em cenários de incerteza climática, o BRS 662 oferece uma "segurança alimentar no campo", permitindo que o produtor mantenha o estoque de alimento do rebanho mesmo em condições menos favoráveis ao milho. O lançamento reforça a posição do Brasil como líder em tecnologias tropicais para a pecuária de corte e leite.

As sementes do novo híbrido já podem ser adquiridas através dos representantes comerciais da Latina Seeds em todo o território nacional.