Carne bovina e soja puxam saldo comercial de US$ 7,2 bilhões no ano
Publicado em 23/02/2026 20h27

Carne bovina e soja puxam saldo comercial de US$ 7,2 bilhões no ano

Brasil registra superávit de US$ 2,1 bilhões na terceira semana de fevereiro, impulsionado por soja, milho e carne bovina, segundo dados da Secex.
Por: Redação

O desempenho do comércio exterior brasileiro em fevereiro de 2026 reafirma a força exportadora dos setores produtivos nacionais. De acordo com os dados divulgados nesta segunda-feira (23) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), a balança comercial registrou um superávit de US$ 2,1 bilhões apenas na terceira semana do mês. O resultado é fruto de uma corrente de comércio que movimentou US$ 9,5 bilhões no período.

As exportações semanais alcançaram a marca de US$ 5,79 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 3,72 bilhões. No acumulado de fevereiro, o saldo positivo já atinge US$ 2,8 bilhões, consolidando um início de ano robusto para o fechamento das contas nacionais. O crescimento das vendas externas em relação ao ano anterior demonstra a capacidade de absorção dos produtos brasileiros pelo mercado global.

No acumulado de 2026, os números são ainda mais expressivos. As exportações totais somam US$ 44,6 bilhões contra importações de US$ 37,5 bilhões. Esse cenário resulta em um superávit acumulado de US$ 7,2 bilhões, com uma corrente de comércio que já ultrapassa os US$ 82,1 bilhões. O avanço é reflexo direto da maior produtividade no campo e da valorização de commodities estratégicas.

Aceleração das vendas externas em fevereiro

Ao comparar a média diária de exportações até a terceira semana de fevereiro de 2026 com o mesmo mês de 2025, observa-se um crescimento de 31,7%. O valor saltou de US$ 1,1 bilhão para US$ 1,5 bilhão por dia. Esse incremento é sustentado por três pilares fundamentais: a agropecuária, a indústria extrativa e a indústria de transformação, que inclui produtos processados do agronegócio.

A agropecuária apresentou um crescimento diário de US$ 25,72 milhões, o que representa um avanço de 10,6% na base de comparação anual. Esse setor foi fortemente impulsionado pela comercialização de milho não moído, café não torrado e soja. O grão de soja, em particular, continua sendo o carro-chefe das exportações, aproveitando a janela de escoamento da safra recorde que o país colhe neste ciclo.

"O crescimento de 31,7% nas exportações diárias em fevereiro reflete a competitividade do produto brasileiro e a forte demanda internacional por alimentos e matérias-primas."

Na indústria extrativa, o salto foi ainda mais impactante, com uma alta de 70,5% nas vendas médias diárias. O minério de ferro, o cobre e o óleo bruto de petróleo lideraram esse segmento, beneficiando-se de preços internacionais favoráveis e do aumento do volume embarcado. Já a indústria de transformação cresceu 26,8%, com destaque para a carne bovina, que segue ganhando novos mercados.

Dinâmica das Importações e Insumos Agrícolas

As importações também registraram avanço de 10,3% na média diária, passando de US$ 1,2 bilhão para US$ 1,3 bilhão. Na indústria de transformação, as compras externas cresceram 11,3%, puxadas pela necessidade de fertilizantes químicos, óleos combustíveis e embarcações. O aumento na aquisição de fertilizantes é um indicativo importante de que o produtor rural já está planejando a próxima safra com foco em alta produtividade.

Por outro lado, as importações da agropecuária apresentaram uma queda significativa de 17,3%. Essa redução foi influenciada pela menor necessidade de compra de trigo, centeio e milho de outros países, sugerindo uma maior autossuficiência interna no período ou uma substituição por estoques nacionais. A economia de US$ 4,57 milhões por dia nesse setor ajuda a equilibrar o saldo comercial.

Dentro da pauta de importações agropecuárias que ainda se mantêm ativas, destaca-se a compra de animais vivos, cacau e soja. Embora o Brasil seja o maior produtor global de soja, importações pontuais ocorrem para atender demandas específicas de esmagamento em regiões fronteiriças ou para o cumprimento de contratos logísticos internacionais (drawback), garantindo a fluidez da indústria processadora.

Destaques e Retrações na Pauta Comercial

O relatório da Secex aponta que a carne bovina foi um dos grandes destaques da indústria de transformação, acompanhada por produtos semiacabados de ferro ou aço. O aumento das vendas de carne bovina está atrelado à abertura de novas plantas frigoríficas para exportação e à consolidação de protocolos sanitários que garantem a segurança do alimento brasileiro.

Apesar dos números positivos no geral, alguns produtos enfrentaram retração. Nas exportações agropecuárias, houve queda nas vendas de pescado inteiro e sementes oleaginosas. Na indústria extrativa, os minérios de metais preciosos e a linhita também registraram recuo. Na transformação, setores como sucos e veículos de passageiros apresentaram desempenho inferior ao registrado em fevereiro de 2025.

Setor Exportador Crescimento Diário (%) Valor Total no Mês (US$ bi)
Agropecuária + 10,6% 3,48
Indústria Extrativa + 70,5% 4,73
Indústria de Transformação + 26,8% 11,14

O equilíbrio entre os setores demonstra uma economia diversificada, onde o agronegócio fornece a base cambial necessária para a estabilidade econômica. A corrente de comércio diária média de US$ 2,7 bilhões é um indicador de que o Brasil mantém relações comerciais dinâmicas e fluidas com seus principais parceiros, especialmente na Ásia e na Europa.

Perspectivas para o Fechamento de Fevereiro

Com o saldo médio diário apresentando alta de 20,9% em relação ao ano passado, a expectativa para o encerramento do mês é de um superávit recorde. O monitoramento contínuo dos portos e a agilidade na emissão de certificados fitossanitários são pontos que as associações de classe acompanham para garantir que o ritmo de embarques não sofra interrupções na última semana de fevereiro.

O crescimento das importações de plataformas e embarcações também sinaliza investimentos em infraestrutura e exploração de recursos naturais, o que pode gerar reflexos positivos nas exportações de longo prazo. O cenário de 2026 começa com sinais de forte atividade econômica, onde o comércio exterior atua como o principal motor do superávit brasileiro.

A Secretaria de Comércio Exterior continuará a atualização dos dados semanalmente para consolidar o balanço final do mês de fevereiro no início de março.