A pecuária de corte brasileira escreveu um novo capítulo em sua história no ano de 2025. Dados consolidados pelo IBGE e analisados por pesquisadores do Cepea revelam que o país atingiu a marca recorde de 42,5 milhões de cabeças abatidas, o maior volume já registrado. O número impressiona pela escala de crescimento: foi 8,2% superior a 2024 e expressivos 42,6% maior do que o registrado em 2022, evidenciando uma transformação profunda na oferta de proteína vermelha.
De acordo com o Cepea, esse cenário é resultado de uma combinação de fatores estruturais e conjunturais. Primeiro, os fortes investimentos em tecnologia e genética realizados desde 2020 começaram a entregar resultados em escala. Segundo, o avanço do ciclo pecuário, marcado por um elevado descarte de fêmeas nos últimos meses, contribuiu para inflar os números de abate nas plantas frigoríficas de todo o país.
Apesar dessa enxurrada de oferta, quem esperava um derretimento nos preços se deparou com uma realidade diferente. O mercado físico nacional tem demonstrado uma resiliência notável. Neste mês, o Indicador do boi gordo CEPEA/ESALQ opera na casa dos R$ 340, acumulando uma alta de pouco mais de 5%.
RAIO-X DO ABATE NO BRASIL
2025: 42,5 milhões de cabeças (Recorde histórico).
vs 2024: + 8,2%.
vs 2022: + 42,6%.
Preço Médio Atual: R$ 340,00.
O fator determinante para sustentar as cotações mesmo diante do recorde de produção foi o desempenho avassalador das exportações. O mercado externo funcionou como uma eficiente válvula de escape, escoando o excedente de produção e impedindo o acúmulo de estoques que pudesse pressionar os preços para baixo no mercado interno.
A carne brasileira segue competitiva e com forte demanda em mercados estratégicos, como a China e o Sudeste Asiático, além da abertura de novos nichos de alto valor agregado. Esse fluxo constante de embarques atenuou as pressões baixistas e garantiu que o pecuarista recebesse um valor justo pelo animal terminado, mesmo em um ano de oferta abundante.
Pesquisadores apontam que, além do vácuo preenchido pelas exportações, o consumo doméstico também apresentou sinais de melhora, reagindo ao bom momento da atividade econômica brasileira (IBC-Br). A soma desses fatores criou um ambiente de equilíbrio raro: produção recorde com preços remuneradores.
A atual fase do ciclo pecuário, caracterizada pelo abate intenso de fêmeas, sugere que a oferta de animais prontos para o abate pode começar a encurtar nos próximos ciclos, conforme a retenção de matrizes volte a ganhar força. Atualmente, o mercado já sente uma menor disponibilidade de animais padrão Europa e China, o que ajuda a explicar a sustentação do patamar de R$ 340 por arroba.
Para o pecuarista, o momento exige gestão eficiente de custos, especialmente com a nutrição, para aproveitar o bom momento de preços. Com o escoamento da carne fluindo bem tanto para o açougue da esquina quanto para os portos de embarque, a expectativa é de que a volatilidade seja moderada até o fechamento do primeiro semestre de 2026.
A eficiência das indústrias frigoríficas em processar esse volume recorde também foi testada e aprovada em 2025, com ampliações de turnos e modernização de linhas de abate para dar conta dos 42,5 milhões de animais.