O Governo do Paraná, por meio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), reafirmou seu papel de liderança em inovação agropecuária nesta quinta-feira (12). Durante o Show Rural Coopavel, em Cascavel, foram lançadas quatro novas cultivares — três de mandioca e uma de milho — focadas em superar gargalos sanitários e elevar a rentabilidade do produtor paranaense. Os novos materiais são fruto de pesquisa aplicada e visam fortalecer o fornecimento para as cadeias agroindustriais do estado.
O secretário da Agricultura e do Abastecimento, Márcio Nunes, destacou que o Paraná se mantém como uma "vitrine de tendências" graças ao trabalho contínuo de pesquisa pública. Para o diretor-presidente do IDR-Paraná, Natalino Avance de Souza, a entrega desses materiais representa uma solução concreta para desafios como as pragas de solo e doenças foliares, garantindo segurança alimentar e financeira ao campo.
A estratégia de lançamento foca em materiais com alto teto produtivo e características específicas para a industrialização. Enquanto o milho branco busca nichos de maior valor agregado, as mandiocas foram desenvolvidas para maximizar a extração de amido e fécula.
DESTAQUES DO LANÇAMENTO
Mandioca: Cultivares IPR Clara, Quartzo e Topázio (+30% produtividade).
Milho: Híbrido IPR W225 (Resistente ao complexo de enfezamento).
Valor Agregado: Milho branco pode valer até R$ 130,00 a saca.
O IDR-Paraná apresentou três novas variedades de mandioca: IPR Clara, IPR Quartzo e IPR Topázio. Todas são destinadas exclusivamente à indústria de farinha e fécula devido ao alto teor de ácido cianídrico. O grande diferencial destes materiais é o teor de amido, que varia entre 550 e 600 gramas por quilo, superando as variedades tradicionais do mercado.
O ganho produtivo estimado é de 30%, o que pode representar um incremento de até 30 toneladas por hectare. Cada cultivar foi adaptada a um perfil de solo paranaense: a IPR Clara e a IPR Topázio são indicadas para áreas arenosas, enquanto a IPR Quartzo apresenta melhor desempenho em solos argilosos. Além da produtividade, a tolerância a pragas e doenças permite ao produtor reduzir o uso de defensivos e diversificar a lavoura com segurança.
Na área de cereais, o destaque absoluto foi o lançamento do híbrido de milho branco IPR W225. O material chega para substituir o IPR 127 e traz como principal trunfo a tolerância ao complexo de enfezamento, doença transmitida pela cigarrinha do milho que tem causado prejuízos bilionários nas últimas safras.
Além da proteção sanitária, o IPR W225 oferece uma oportunidade econômica singular. Voltado à produção de canjica, fubá e amido, o milho branco possui um valor de mercado muito superior ao amarelo. Enquanto a saca do milho comum gira em torno de R$ 55,00, o híbrido branco pode atingir entre R$ 120,00 e R$ 130,00, dobrando o faturamento bruto do produtor por área colhida.
As sementes já estão em fase de multiplicação por parceiros credenciados e estarão disponíveis para plantio a partir de setembro de 2026. A genética surge, assim, como a ferramenta mais eficaz para o manejo integrado, somando-se aos controles químicos e biológicos já utilizados.
O evento também foi palco de uma homenagem à pesquisadora Vânia Cirino, expoente nacional na área da agronomia e responsável pelo desenvolvimento de 38 cultivares de feijão. A celebração ocorreu em alusão ao Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. O trabalho de Vânia foi fundamental para tornar o Paraná o líder nacional na produção de feijão, com uma área de 450 mil hectares por safra.
A presença de cientistas de alto gabarito no IDR-Paraná garante que o estado continue exportando tecnologia. Os lançamentos deste Show Rural reforçam o compromisso de transformar a pesquisa de laboratório em lucro real no bolso do agricultor paranaense.
A expectativa é que as novas cultivares de mandioca comecem a ser disseminadas imediatamente nas principais bacias industriais do estado, como a região de Paranavaí.