A pecuária de corte brasileira consolidou em 2025 o movimento de intensificação produtiva, atingindo a marca histórica de 9,25 milhões de animais terminados em sistema de confinamento. Os dados fazem parte do Censo de Confinamento 2025, realizado pela dsm-firmenich e divulgado nesta terça-feira (10). O levantamento aponta um crescimento de 16% em relação às 8 milhões de cabeças registradas em 2024, demonstrando que o pecuarista buscou na engorda intensiva a saída para otimizar o giro das propriedades.
O estudo mapeou a atividade em 2.445 propriedades distribuídas por 1.095 municípios brasileiros. Esse alcance geográfico evidencia que o confinamento deixou de ser uma ferramenta restrita aos grandes polos e se tornou uma estratégia capilarizada por todo o território nacional. A busca por eficiência e o uso de ferramentas de gestão foram os principais pilares que sustentaram esse avanço, mesmo em um ano de alta volatilidade nos preços da arroba.
A análise regional mostra que o Norte do país já responde por 13,5% do volume total, com 1,248 milhão de animais. O Nordeste também apresentou participação relevante, detendo 5,3% do rebanho confinado. Esses números refletem a mudança estrutural da bovinocultura, que migra de um modelo extrativista para sistemas que priorizam a produtividade por área e a redução do ciclo de produção.
RAIO-X DO CONFINAMENTO 2025
Total de animais: 9,25 milhões de cabeças (+16%)
Propriedades: 2.445 fazendas mapeadas
Crescimento médio: 11% ao ano na última década
O aumento no volume de animais confinados está diretamente atrelado à adoção de tecnologias de monitoramento e gestão. Segundo a dsm-firmenich, o uso de softwares como o FarmTell permitiu que os pecuaristas tivessem maior controle sobre os custos da dieta e o desempenho ganho de peso diário. A inteligência de dados tornou-se a bússola para o planejamento do setor, permitindo ajustes rápidos diante das oscilações do mercado.
O censo destaca que a modernização não se limita apenas ao maquinário, mas envolve o uso estratégico de suplementação nutricional. A linha Tortuga, por exemplo, tem sido aplicada para maximizar o aproveitamento dos grãos na dieta, reduzindo o custo por arroba produzida. O foco em eficiência é o que diferencia os produtores que conseguiram manter a rentabilidade em 2025 daqueles que operaram com margens negativas.
A sustentabilidade também ganhou espaço no debate sobre o confinamento. Sistemas intensivos permitem produzir mais carne com menos uso de terra e menores emissões de metano por quilo de produto final. Essa percepção tem atraído investimentos e facilitado o acesso a linhas de crédito verde, que exigem rastreabilidade e boas práticas de manejo em todas as etapas da engorda.
A série histórica do censo mostra uma evolução consistente: em 2007, o Brasil confinava apenas 2,55 milhões de cabeças. O salto para os atuais 9,25 milhões representa um crescimento robusto, sustentado pela profissionalização da mão de obra e pela melhoria genética do rebanho. O "boi de cocho" deixou de ser apenas um seguro contra a seca e passou a ser o motor de entrega de carcaças de melhor qualidade para o mercado interno e exportação.
A dsm-firmenich pontua que a tendência para os próximos anos é de manutenção do crescimento, embora o ritmo dependa diretamente da relação de troca entre o boi magro e os insumos da dieta, como milho e farelo de soja. O uso de coprodutos da indústria de etanol de milho (DDG) também tem sido um fator de viabilidade para o confinamento em regiões de expansão agrícola.
O levantamento se consolida como a principal referência para o planejamento estratégico de frigoríficos, indústrias de nutrição e para o próprio produtor rural, que utiliza os dados para balizar suas decisões de entrada e saída dos lotes.
Em 2025, o número de municípios com atividade de confinamento subiu para 1.095, reforçando a descentralização da engorda intensiva no Brasil.