Laranja: onda de frio nos EUA pode elevar preços em 2026
Publicado em 06/02/2026 11h40

Laranja: onda de frio nos EUA pode elevar preços em 2026

O frio extremo na Flórida ameaça pomares de laranja com temperaturas abaixo de zero, elevando a preocupação com a oferta global de citros em 2026.
Por: Redação

O mercado global de citros está em alerta máximo devido às condições climáticas severas registradas no estado da Flórida, o principal polo produtor de laranjas dos Estados Unidos. Desde o final de janeiro e início de fevereiro de 2026, uma massa de ar polar derrubou as temperaturas na região, colocando em risco uma safra que já vinha sofrendo com limitações estruturais e doenças fitossanitárias.

Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam que o cenário é crítico. A exposição das árvores cítricas a temperaturas abaixo do ponto de congelamento por períodos superiores a quatro horas pode ser fatal para a produtividade da planta. O frio intenso rompe as células do tronco e dos galhos, além de provocar a queda prematura de folhas e o congelamento interno dos frutos, o que compromete a qualidade do suco.

Este fenômeno ocorre em um momento de fragilidade para a citricultura norte-americana, que luta para se recuperar de safras historicamente baixas nos últimos anos. A redução da oferta na Flórida tem reflexos diretos nas cotações internacionais da commodity, influenciando inclusive o mercado brasileiro, que é o maior exportador mundial de suco de laranja e principal fornecedor para os EUA quando a produção local falha.

ALERTA TÉCNICO

  • Risco crítico: Exposição ao gelo por mais de 4 horas.

  • Danos estruturais: Rompimento de células no tronco e galhos.

  • Consequência: Perda de frutos e queda na qualidade do suco.

Estratégias de mitigação no campo

Para tentar conter o prejuízo, os citricultores da Flórida intensificaram o uso de tecnologias de proteção contra geadas. Entre as principais medidas adotadas está a irrigação por aspersão constante. A técnica visa criar uma camada isolante de gelo sobre os ramos; curiosamente, enquanto a água congela, ela libera calor latente, mantendo a temperatura do tecido vegetal próxima de 0°C, impedindo que caia para níveis letais.

Além da irrigação, o uso de aquecedores e potentes ventiladores de torre foi mobilizado nas lavouras para tentar movimentar o ar e evitar a formação de bolsões de ar frio próximos ao solo. Contudo, conforme analisa o Cepea, a eficácia dessas estratégias é limitada. Quando o frio é persistente e acompanhado de ventos fortes, o sistema de proteção pode falhar, resultando em danos irreversíveis às árvores mais jovens.

Nesta primeira semana de fevereiro, os termômetros começaram a registrar uma leve elevação, mas a estabilidade ainda é incerta. A previsão para os próximos dias indica a chegada de uma nova frente fria acompanhada de chuvas, o que pode trazer um alento contra a geada seca, mas mantém o produtor em estado de vigilância constante.

Reflexos para o cenário brasileiro

Para o citricultor brasileiro, o cenário na Flórida é monitorado de perto. Historicamente, quebras de safra nos Estados Unidos impulsionam a demanda pelo suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) produzido em São Paulo e no Triângulo Mineiro. Com os estoques globais já em níveis ajustados, qualquer perda adicional na produção norte-americana tende a sustentar os preços da fruta em patamares elevados ao longo de 2026.

Especialistas do setor apontam que apenas com o passar das semanas será possível contabilizar o real impacto nos pomares. A extensão dos danos internos nos frutos muitas vezes só aparece durante o processo de processamento nas indústrias, quando o rendimento de suco por caixa de laranja é calculado.

MERCADO GLOBAL A Flórida é o maior produtor de suco dos EUA. Danos por frio na região tendem a valorizar as exportações brasileiras de citros.

Enquanto a contabilização das perdas não é finalizada, o mercado futuro da laranja em Nova York já apresenta volatilidade, reagindo a cada atualização meteorológica vinda do sudeste dos Estados Unidos. A sustentação dos preços depende agora da capacidade de recuperação das plantas e da severidade das frentes frias previstas para o restante do inverno no hemisfério norte.

Até o momento, as temperaturas voltaram a subir levemente, mas a eficácia das medidas de proteção só será confirmada na colheita.