Além da China: exportação de carnes cresce com novos destinos em 2026
Publicado em 06/02/2026 12h23

Além da China: exportação de carnes cresce com novos destinos em 2026

O Brasil registrou exportações recordes de carne de frango (459 mil t) e suína (116,3 mil t) em janeiro de 2026, com forte avanço nos mercados asiáticos.
Por: Redação

O setor de proteína animal do Brasil iniciou 2026 com um desempenho histórico, superando marcas anteriores tanto em volume quanto em faturamento. De acordo com dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações de carne de frango e de carne suína atingiram níveis recordes para o mês de janeiro. O resultado sinaliza um ano de forte demanda externa e consolidação da presença brasileira em mercados estratégicos fora do eixo tradicional.

No segmento de avicultura, os embarques totais somaram 459 mil toneladas no primeiro mês do ano. O volume supera em 3,6% as 443 mil toneladas registradas em janeiro de 2025. Em termos financeiros, o salto foi ainda mais expressivo: a receita cambial atingiu US$ 874,2 milhões, uma valorização de 5,8% na comparação anual.

Os Emirados Árabes Unidos consolidaram sua posição como o principal parceiro comercial da avicultura nacional, importando 44,3 mil toneladas, um aumento de 14%. Outros mercados também apresentaram crescimentos de dois dígitos, como a África do Sul (+34%) e a União Europeia (+24%). O Chile destacou-se com uma expansão de 51% nas compras, enquanto a China registrou um recuo de 25%, refletindo uma reorganização dos destinos globais.

DESTAQUE AVICULTURA

  • Volume total: 459 mil toneladas (+3,6%)

  • Receita recorde: US$ 874,2 milhões (+5,8%)

  • Maior estado exportador: Paraná (187,7 mil t)

Dinâmica da Carne Suína

A suinocultura brasileira acompanhou o ritmo de crescimento e também fechou o mês com números sem precedentes para o período. Foram embarcadas 116,3 mil toneladas de carne suína, alta de 9,7% sobre janeiro do ano anterior. A receita gerada por essas vendas somou US$ 270,2 milhões, um incremento significativo de 13,6%.

A mudança no perfil dos compradores é o ponto central da estratégia da ABPA. As Filipinas assumiram o protagonismo como o maior destino da carne suína brasileira, com 37,4 mil toneladas importadas — um salto impressionante de 91%. O Japão, mercado conhecido pelo alto rigor técnico e valor agregado, elevou suas compras em 58%, alcançando 12,9 mil toneladas.

Essa descentralização é vista de forma positiva pela indústria. Embora a China ainda seja um comprador relevante, sua participação caiu 58% no mês, sendo compensada por novos mercados e pelo avanço expressivo no México (+133%). Para o presidente da ABPA, Ricardo Santin, essa movimentação aponta para um fluxo comercial mais equilibrado e menos dependente de um único player.

Liderança nos Estados

No mapa da produção nacional, o Paraná mantém a hegemonia na exportação de frangos, com 187,7 mil toneladas embarcadas em janeiro (+3,9%). Santa Catarina aparece na sequência, mas brilha na liderança da carne suína, apesar de uma leve oscilação negativa de 2,3%, somando 56,5 mil toneladas enviadas ao exterior.

O Rio Grande do Sul também apresentou números robustos em ambas as proteínas, com destaque para a alta de 34,4% nas exportações de suínos. Mato Grosso e Goiás seguem ganhando espaço, impulsionados pela integração vertical e pela proximidade com a produção de grãos, o que garante competitividade no custo da ração e, consequentemente, no preço final do produto exportado.

DESTAQUE SUINOCULTURA

  • Volume total: 116,3 mil toneladas (+9,7%)

  • Receita recorde: US$ 270,2 milhões (+13,6%)

  • Protagonista: Filipinas (37,4 mil t / +91%)

As perspectivas para o restante de 2026 são otimistas. A manutenção do status sanitário brasileiro e a abertura de novos mercados de alto valor, como os países da Ásia e da Oceania, devem sustentar os volumes recordes. A indústria foca agora em manter a eficiência operacional para atender à demanda crescente, especialmente em períodos que tradicionalmente apresentam consumo retraído.

A China reduziu suas compras de carne suína em 58% em janeiro, mas o mercado foi compensado pelo crescimento recorde nas Filipinas e no Japão.