O mercado pecuário de Mato Grosso iniciou o ano de 2026 sob pressão. De acordo com a análise semanal do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o preço médio da arroba do boi gordo no estado fechou o mês de janeiro em R$ 296,43. O valor representa uma queda de 0,96% em relação a dezembro de 2025 e um recuo ainda mais expressivo, de 6,33%, quando comparado ao mesmo período do ano passado.
Segundo os técnicos do instituto, esse movimento de baixa é reflexo direto de dois fatores principais na oferta: a maior disponibilidade de animais terminados prontos para o abate e o aumento da participação de fêmeas nas escalas das indústrias. Essa combinação tem dado maior poder de barganha aos frigoríficos, dificultando qualquer tentativa de reação nos preços por parte dos produtores.
Enquanto Mato Grosso viu seus preços recuarem, a praça de São Paulo apresentou estabilidade com um leve viés de alta. O boi paulista foi cotado, em média, a R$324,51 por arroba (+0,06% no mês). Essa divergência de comportamento entre os estados fez com que o chamado diferencial de base (a distância de preço entre as duas praças) saltasse para 9,93%.
“O diferencial de base MT–SP alcançou a média de 9,93% em janeiro de 2026, avanço de 0,84 ponto percentual ante dezembro de 2025 e o maior patamar desde novembro de 2024.” — Informativo Imea.
Esse indicador é fundamental para o pecuarista mato-grossense, pois demonstra que, embora o mercado nacional esteja aquecido em centros de consumo como São Paulo, a abundância de oferta local em Mato Grosso está "represando" as cotações regionais.
No momento, a pressão vendedora é o principal freio para o mercado. O setor agora volta as atenções para dois pilares que podem mudar o rumo das cotações em fevereiro:
Desempenho das exportações: Um ritmo acelerado de embarques pode ajudar a drenar o excesso de oferta interna.
Consumo doméstico: A entrada da massa salarial de início de mês pode trazer um alento à demanda por carne bovina.
O Imea reforça que o comportamento da arroba nos próximos meses será orientado pela capacidade do mercado em absorver os animais terminados que ainda estão no campo. Para o produtor, o momento exige cautela na comercialização e atenção redobrada aos custos de reposição, dado o deságio em relação ao mercado paulista.