
A capital de Mato Grosso do Sul prepara-se para um dos eventos ambientais mais significativos do calendário global em 2026. A 15ª Conferência das Nações Unidas para a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15) trará à região uma densa rede de especialistas internacionais para debater estratégias de proteção a animais que atravessam fronteiras em busca de sobrevivência. A escolha do estado como sede deve-se à importância ecológica do Pantanal, a maior área alagável do mundo, que funciona como um ponto vital de paragem, alimentação e descanso para diversas aves migratórias.
A estrutura e os detalhes do evento foram apresentados por representantes do Ministério do Meio Ambiente e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc). Diferente da Conferência das Mudanças Climáticas, que é anual, a COP das Espécies Migratórias ocorre a cada três anos. Embora conte atualmente com 133 nações signatárias, o Brasil — que integra a convenção desde 2015 — pretende aproveitar a presidência do evento para atrair novos membros, especialmente da América do Norte e Central, onde a adesão ainda é baixa.
Estrutura da COP15 em Campo Grande:
Zona Azul (Blue Zone): Sediada no Expo Bosque (Shopping Bosque dos Ipês).
Atividades Complementares: Bioparque Pantanal e Casa do Homem Pantaneiro.
Solenidades: Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo.
O Governo do Estado está mobilizado para garantir que a logística acompanhe a dimensão do encontro. Estão a ser coordenadas ações com os setores hoteleiro e de restauração para acomodar o fluxo de visitantes, além de negociações com companhias aéreas para a oferta de voos extra durante o período. A infraestrutura de transportes urbanos será reforçada com linhas especiais de autocarros ligando os principais centros hoteleiros aos locais das conferências.
Segundo o secretário da Semadesc, Jaime Verruck, este será um momento único para apresentar o património natural de Mato Grosso do Sul ao mundo. A Secretaria de Turismo está a articular roteiros técnicos e de visitação para o Pantanal e Bonito, visando proporcionar aos delegados internacionais uma imersão na biodiversidade local. A segurança pública também terá um esquema especial, com reforço de efetivos no aeroporto e nas áreas de maior circulação de participantes.
A realização da COP15 em solo sul-mato-grossense reforça a liderança brasileira na agenda ambiental. O foco das discussões será a criação de corredores ecológicos seguros e a redução de ameaças antrópicas que interrompem as rotas migratórias. Para Campo Grande, o evento representa não apenas um desafio logístico, mas uma oportunidade de consolidar a sua imagem como um hub de desenvolvimento sustentável e preservação ambiental no coração da América do Sul.