Famasul indica reação nos preços do boi com oferta ainda elevada no MS
Publicado em 29/01/2026 11h44

Famasul indica reação nos preços do boi com oferta ainda elevada no MS

Mato Grosso do Sul avança para a fase de alta do ciclo pecuário, com preços reagindo apesar da oferta ainda elevada, aponta análise técnica da Famasul.
Por: Redação

A pecuária sul-mato-grossense atravessa um momento decisivo de inflexão. Segundo levantamento do Departamento Técnico da Famasul, o estado iniciou a transição da fase de baixa para a fase de alta do ciclo pecuário. Este estágio é caracterizado por uma reação inicial nos preços, embora a oferta de animais terminados ainda se mantenha em patamares altos, reflexo das decisões de investimento e retenção feitas nos anos anteriores.

O mercado apresenta sinais positivos, mas o impacto varia drasticamente entre os diferentes sistemas produtivos. A cria começa a ganhar fôlego com a valorização do bezerro, que alcançou a média de R$ 2.658,03. Esse cenário eleva a receita dos criadores e sinaliza melhores perspectivas para o médio prazo, embora a retenção de fêmeas ainda demande cautela administrativa diante de possíveis limitações de estrutura e pastagem.

Inversamente, os sistemas de recria e engorda enfrentam um curto prazo desafiador. Nestas etapas, o custo da reposição costuma subir antes da valorização plena da arroba do boi gordo, o que comprime as margens operacionais. Dados apontam que a arroba atingiu R$ 306,93 (considerando médias até novembro), mas o descompasso entre o preço de compra do animal magro e a venda do gordo é um traço típico desta transição.

Evolução do Rebanho no MS: Rebanho em 2017: 20,5 milhões de cabeças. Rebanho em 2023: 17,2 milhões de cabeças. Cenário 2024/2025: Estabilização e início de recuperação consistente.

Historicamente, o setor viveu entre 2019 e 2021 um período de preços recordes que incentivou a expansão. A partir de 2022, o descarte acelerado de matrizes — com taxas de abate de fêmeas próximas a 49% — marcou o fundo do ciclo. O consultor da Famasul, Diego Guidolin, observa que o encarecimento da reposição agora sinaliza uma mudança de percepção dos agentes, antecipando a consolidação da fase de alta.

A volatilidade é uma característica intrínseca deste período. Mesmo em tendência de alta, os preços podem oscilar devido a fatores externos e ao ritmo das exportações. Nesse contexto, a comercialização assume papel central na gestão do risco. O produtor que opera apenas no mercado físico à vista fica totalmente exposto às variações bruscas de preço, o que pode comprometer a saúde financeira da propriedade.

As ferramentas de mercado futuro tornam-se indispensáveis para os sistemas de terminação. O uso de contratos a termo permite fixar preços e datas de entrega, enquanto as opções de venda funcionam como um seguro de preço mínimo. O hedge é apontado como a estratégia mais eficaz para alinhar os custos crescentes da reposição com o preço final de venda da arroba, garantindo previsibilidade.

Ferramentas de Proteção: Mercado Físico: Risco total de oscilação para o produtor. Mercado Futuro (Hedge): Proteção contra quedas de preço. Opções: Garantia de preço mínimo para a arroba.

A análise reforça que Mato Grosso do Sul já superou o momento de preços deprimidos, mas ainda não ingressou plenamente na fase de restrição de oferta. A profissionalização na gestão de preços e o uso consciente de instrumentos financeiros são os diferenciais que permitirão ao pecuarista atravessar este período de transição com maior segurança econômica e competitividade frente aos novos patamares de custo.

A mudança biológica na oferta — quando o abate de fêmeas cai drasticamente e o rebanho se recompõe — leva tempo para se materializar. O produtor que interpreta corretamente esses sinais do ciclo consegue ajustar sua estratégia produtiva de forma antecipada. O planejamento para as próximas fases exige que o pecuarista esteja preparado para um cenário de animais mais caros e necessidade de maior eficiência produtiva por hectare.