A cercospora, doença foliar que anteriormente era classificada como secundária na cultura da soja, adquiriu nova relevância estratégica nas lavouras brasileiras. Esse movimento acompanha a evolução genética das plantas, com a adoção de cultivares mais produtivas, porém mais compactas e menos tolerantes à perda de área foliar. O que antes era ignorado pelo produtor rural, agora representa um impacto financeiro direto e severo no fechamento da safra.
O comportamento da doença é discreto e silencioso, o que dificulta o diagnóstico precoce no campo. Os sintomas iniciais surgem nas folhas inferiores sob a forma de pequenas manchas arroxeadas. Por muitas vezes, essas marcas são confundidas com o envelhecimento natural da planta ou com deficiências nutricionais pontuais. No entanto, quando os sinais se tornam evidentes para o agricultor, o prejuízo produtivo já está consolidado.
Dados da Embrapa Soja revelam que a cercospora tem potencial para reduzir a produção em até 20%. A intensificação do problema está ligada ao perfil das plantas modernas, que exigem a manutenção integral da folhagem para garantir o máximo enchimento de grãos. O atraso no manejo químico ou cultural favorece a progressão do fungo ao longo de todo o ciclo vegetativo e reprodutivo da oleaginosa.
Impacto na Lavoura: Redução potencial de produtividade: até 20%. Danos principais: redução da fotossíntese e qualidade inferior dos grãos. Local de início: folhas inferiores (baixeiro).
Um fator de alerta para o setor de sementes é a forma de disseminação do patógeno. Levantamentos técnicos indicam que sementes aparentemente sadias podem carregar o fungo, permitindo que a lavoura inicie o desenvolvimento já com a doença instalada. Além da queda de rendimento por hectare, as lesões afetam a qualidade fisiológica das sementes, o que prejudica a comercialização e o vigor de plantios futuros.
As lesões causadas pelo fungo comprometem a capacidade fotossintética da soja, resultando em grãos menores e menos pesados. Especialistas em fitopatologia reforçam que o planejamento da safra deve incluir o controle da cercospora desde o início, evitando que o foco recaia apenas sobre doenças mais agressivas visualmente, como a ferrugem asiática. O manejo integrado é a única forma de preservar o potencial genético das sementes.
O controle eficiente passa obrigatoriamente pelo uso de sementes tratadas com fungicidas específicos e pela prática da rotação de culturas. Essas medidas reduzem o inóculo inicial presente na área e nos restos culturais. O manejo antecipado com fungicidas foliares deve ser mantido ao longo de todo o ciclo para proteger o baixeiro da planta, garantindo que a doença não suba para as folhas superiores.
Estratégias de Controle:
Uso de sementes com tratamento fungicida.
Rotação de culturas para quebra do ciclo do fungo.
Aplicações antecipadas e preventivas de fungicidas.
A preservação de cada folha tornou-se determinante para a rentabilidade da propriedade rural moderna. Em um cenário de margens estreitas e custos de produção elevados, perdas de 20% por falta de manejo preventivo podem inviabilizar a atividade econômica. A vigilância constante e o conhecimento técnico sobre os sintomas iniciais da cercospora são as ferramentas mais eficazes para garantir a produtividade e a sustentabilidade da soja brasileira.