Sanidade animal posiciona frango brasileiro no topo do mercado global
Publicado em 16/01/2026 17h19

Sanidade animal posiciona frango brasileiro no topo do mercado global

O Brasil deve liderar o crescimento entre os maiores exportadores mundiais de carne de frango em 2026, impulsionado pela sanidade e menores custos.
Por: Redação

A avicultura brasileira inicia o ano de 2026 com perspectivas extremamente favoráveis, consolidando o país como o principal protagonista no comércio global de proteína de aves. De acordo com as estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil apresenta o maior potencial de expansão entre as nações exportadoras. A projeção indica que o país deve atingir um volume de embarques próximo a 5,2 milhões de toneladas ao longo do ano.

Este avanço é sustentado por uma combinação de fatores competitivos que diferenciam a produção nacional dos seus principais concorrentes, como os Estados Unidos e a União Europeia. Enquanto outros grandes produtores enfrentam desafios severos com surtos de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), o Brasil mantém seu status sanitário de excelência na produção comercial. Essa condição garante a fluidez dos contratos internacionais e a abertura de novos mercados exigentes.

A produção nacional de carne de frango também deve registrar crescimento significativo no ciclo atual. As projeções apontam para um aumento de aproximadamente 2% no volume total produzido, superando a média de crescimento mundial, estimada em apenas 1%. Esse ritmo acelerado demonstra a capacidade de resposta das agroindústrias brasileiras frente ao aumento da demanda global por proteínas acessíveis e de alta qualidade.

Status Competitivo Global: Enquanto a produção mundial de frango cresce 1%, o Brasil projeta avanço de 2%. Volume total de exportação estimado: 5,2 milhões de toneladas em 2026.

Um dos pilares que sustenta a rentabilidade do setor neste início de ano é a trajetória de queda nos custos de produção. A alimentação das aves, composta majoritariamente por milho e farelo de soja, apresenta valores mais baixos em comparação aos picos observados nos últimos dois anos. Com a confirmação de safras robustas de grãos na América do Sul, a pressão sobre as margens dos avicultores diminuiu consideravelmente.

O preço do milho, que representa cerca de 70% do custo da ração, mantém-se em patamares estáveis no mercado interno brasileiro. Essa estabilidade permite um planejamento mais assertivo para as integradoras e produtores independentes. A redução nos custos de nutrição, somada à eficiência na conversão alimentar das linhagens modernas, coloca a carne de frango em uma posição de vantagem competitiva tanto no mercado doméstico quanto no externo.

No cenário internacional, os preços da proteína de aves apresentam tendência de firmeza. A menor oferta de exportadores tradicionais, que sofrem com restrições sanitárias, elevou a procura pelo produto brasileiro. Esse desequilíbrio entre oferta e procura global sustenta as cotações em níveis que favorecem a balança comercial nacional, gerando divisas importantes para o desenvolvimento das regiões produtoras.

Cenário de Insumos: Redução média nos custos de ração: 10% a 15% em relação ao ano anterior. Disponibilidade interna de grãos favorece o alojamento de pintinhos.

Os destinos tradicionais, como a China e os países do Oriente Médio, permanecem como os principais compradores do frango brasileiro. No entanto, observa-se uma diversificação estratégica de mercados. A habilitação de novas unidades industriais para exportação e o reconhecimento dos protocolos de bem-estar animal brasileiros permitem o avanço em nichos de alto valor agregado, como os cortes processados e o mercado de produtos halal.

A logística de escoamento também apresenta avanços, com investimentos em terminais portuários especializados em cargas frigorificadas. A agilidade no transporte da fábrica até o porto é determinante para manter o frescor e a qualidade dos cortes exportados. A manutenção da competitividade exige que as empresas continuem focadas na otimização dos processos logísticos e na redução de desperdícios ao longo de toda a cadeia.

Internamente, o consumo de frango apresenta resiliência. A carne de aves continua sendo a proteína animal mais presente no prato dos brasileiros devido ao seu preço acessível em comparação à carne bovina. Mesmo com a melhora na renda da população, o frango mantém sua relevância por ser uma opção versátil e saudável, garantindo que as agroindústrias tenham um mercado interno sólido para absorver o volume não destinado à exportação.

O monitoramento constante da sanidade animal continua sendo a maior prioridade das entidades setoriais e do governo federal. A implementação de biosseguridade rigorosa nas granjas é o escudo que protege o acesso aos mercados globais. O investimento em tecnologia de monitoramento e controle sanitário demonstra ser a estratégia mais eficaz para evitar que patógenos externos comprometam o fluxo comercial da avicultura.

A sustentabilidade ambiental também ganha peso nas negociações internacionais. A indústria brasileira de aves vem adotando práticas de produção de baixo carbono e uso eficiente de recursos hídricos. Esses indicadores tornam-se diferenciais de mercado, atendendo às exigências de redes de varejo globais que priorizam fornecedores com transparência em suas práticas socioambientais.

A integração entre produtores rurais e indústrias, modelo consolidado no Sul e Centro-Oeste do país, prova sua eficácia em momentos de transição de mercado. Esse sistema garante assistência técnica, fornecimento de insumos e garantia de compra, reduzindo os riscos para o pequeno e médio produtor. A estabilidade proporcionada pela integração é fundamental para que o Brasil sustente o crescimento projetado para 2026.