
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou, nesta quinta-feira (15), novas estimativas que confirmam a resiliência do campo brasileiro. A produção total de grãos na safra 2025/26 deve alcançar 353,1 milhões de toneladas, um incremento de 0,3% em comparação ao ciclo anterior. O avanço é sustentado pela expansão de 2,6% na área semeada, que agora totaliza 83,9 milhões de hectares em todo o território nacional.
O Centro-Oeste reafirma sua posição de motor econômico do país, liderando a colheita com 174 milhões de toneladas — volume que representa quase metade da produção brasileira. Quando somado às regiões Sul e Sudeste, o Centro-Sul concentra 84,2% do total produzido, enquanto as fronteiras agrícolas das regiões Norte e Nordeste respondem por 16% do balanço final.
A soja continua sendo o principal pilar de sustentação da safra nacional. Com uma colheita estimada em 176,1 milhões de toneladas, a oleaginosa registrou um crescimento de 2,7% na comparação anual. Esse desempenho acompanha a ampliação da área destinada ao grão, que avançou 2,8% e chegou a 48,7 milhões de hectares. No entanto, a produtividade média sofreu uma leve retração de 0,1%, sinalizando os efeitos de janelas climáticas instáveis em polos produtores do Centro-Oeste.
Diferente da soja, o milho apresenta um balanço de perdas. Embora os produtores tenham aumentado a área de plantio em 4%, a produção estimada recuou 1,5%, fechando em 138,9 milhões de toneladas. O impacto mais severo foi sentido na produtividade média, que caiu 5,3%. Fatores climáticos adversos no Sul e a escassez de chuvas em períodos críticos do desenvolvimento da cultura em Minas Gerais foram determinantes para esse resultado negativo.
"A soja consolida sua liderança com 176,1 milhões de toneladas, compensando as instabilidades observadas em outras culturas afetadas pelo clima", aponta o relatório da Conab.
O levantamento também destaca o avanço de culturas emergentes que ganham espaço na estratégia de rotação e diversificação do produtor. O sorgo, por exemplo, deve crescer 9,2% em volume total, atingindo 6,7 milhões de toneladas. No entanto, o destaque absoluto em termos de crescimento percentual é a mamona. A cultura registrou um salto de 47,4% na produção, impulsionada por boas condições climáticas na Bahia e um ganho de produtividade de 34,8%, o maior entre todos os grãos analisados.
A evolução dos dados da Conab reforça a necessidade de investimentos contínuos em tecnologias de adaptação climática. Enquanto a área plantada continua em expansão, a oscilação nos rendimentos por hectare demonstra que o clima permanece como a variável de maior risco para o planejamento agrícola. A diversificação com culturas mais resistentes, como o sorgo e o girassol, surge como uma alternativa para mitigar as perdas em regiões de janela produtiva mais curta.
O cenário para o encerramento da safra 2025/26 indica que o Brasil manterá seu protagonismo no suprimento global de alimentos, mesmo diante de desafios meteorológicos. A estabilidade na produção total, garantida pelo desempenho recorde da soja, assegura o fluxo de exportações e o abastecimento do mercado interno. O setor agora monitora o fechamento das colheitas de verão e o início do ciclo de inverno para consolidar os números finais da temporada.