Leite: Produção sobe 7%, mas preço ao produtor despenca no ano
Publicado em 30/12/2025 07h46

Leite: Produção sobe 7%, mas preço ao produtor despenca no ano

O setor leiteiro brasileiro enfrentou um cenário adverso em 2025, com o preço pago ao produtor caindo mais de 20% no ano, impactado pela forte oferta e importações.
Por: Redação

O setor leiteiro brasileiro enfrentou um cenário desafiador em 2025. De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o preço pago ao produtor acumulou uma queda superior a 20% até novembro, um reflexo do desequilíbrio entre produção, consumo e comércio exterior.

A produção de leite cru aumentou de forma significativa, impulsionada por investimentos realizados em 2024 e por condições climáticas favoráveis ao longo de 2025. O avanço foi notável nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde o clima elevou a produtividade e, ao mesmo tempo, limitou a queda sazonal de produção no Sul do País.

Segundo o Cepea, a captação industrial de leite deve encerrar 2025 com alta de 7% na média anual, alcançando um recorde de 27,14 bilhões de litros. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L), que mede o ritmo de coleta pelas indústrias, acumulou um crescimento de 15,9% até novembro, confirmando a forte pressão da oferta.

Além da produção doméstica, o mercado nacional foi pressionado pelas importações. Na parcial do ano, o Brasil internalizou quase 2,05 bilhões de litros em equivalente-leite, volume apenas 4,8% inferior ao registrado no mesmo período de 2024, ano em que o país bateu recorde histórico de importações de lácteos.

Por outro lado, as exportações recuaram de forma expressiva. Os embarques de lácteos somaram 62,4 milhões de litros em equivalente-leite até novembro, uma queda de 33% na comparação anual. Esse desequilíbrio na balança comercial agravou o excesso de oferta no mercado interno.

Com o abastecimento elevado tanto nas indústrias quanto nos canais de distribuição, os estoques cresceram ao longo do ano. O aumento da disponibilidade de derivados resultou em negociações mais lentas e pressionadas, o que comprimiu as margens das empresas do setor.

Essa pressão foi repassada ao produtor, com recuos sucessivos no preço do leite cru. Ao mesmo tempo, os custos de produção mantiveram trajetória de alta durante boa parte do ano, o que ampliou o desafio de rentabilidade no campo e gerou alerta entre os pecuaristas.

O desempenho do mercado em 2025 confirma um ambiente de baixa lucratividade. Diante das margens estreitas, cresce a tendência de retração nos investimentos e desaceleração da produção para os próximos meses, o que poderá reequilibrar a oferta em 2026.