A formação de preços da soja no Brasil em 2025 foi marcada por uma dinâmica particular, com fatores domésticos se sobrepondo às cotações internacionais. Segundo a consultoria TF Agroeconômica, a Bolsa de Chicago funcionou mais como uma referência do que como um indutor de tendências, enquanto a combinação de base, prêmios e câmbio determinou o valor efetivo recebido pelo produtor.
Mesmo com Chicago operando de forma lateral, os preços em reais apresentaram oscilações relevantes, refletindo a movimentação do dólar e as condições de oferta e demanda no país. No primeiro semestre, a base esteve enfraquecida pela safra cheia e pela pressão logística no pico da colheita. O cenário mudou na segunda metade do ano, com a recuperação gradual da base impulsionada pelo avanço das exportações.
Os prêmios de exportação também tiveram um papel central. No início de 2025, permaneceram entre negativos e neutros diante do grande volume ofertado, mas ganharam força no segundo semestre. O maior apetite chinês pela soja brasileira e a menor competitividade do produto norte-americano foram decisivos para sustentar os preços internos.
O câmbio completou o quadro de influências. Um dólar estruturalmente firme, com picos de volatilidade ligados ao cenário fiscal e internacional, atuou como principal sustentáculo do preço em reais. Em diversos momentos, a alta da moeda norte-americana compensou as quedas registradas em Chicago.
Nesse contexto, estratégias baseadas na gestão ativa e no desacoplamento das decisões comerciais se mostraram mais eficientes. A abordagem permitiu a captura de oportunidades pontuais em cada um dos diferentes vetores de formação de preço ao longo do ano.