"Passaporte verde" pode redefinir o agro do Brasil em 2026
Publicado em 26/12/2025 11h08

"Passaporte verde" pode redefinir o agro do Brasil em 2026

A partir de 2026, o agronegócio brasileiro enfrentará regras socioambientais mais rígidas para exportar, criando um "passaporte verde" para acessar mercados como a União Europeia.
Por: Redação

Grandes compradores internacionais do agronegócio passarão a exigir, a partir de 2026, comprovações socioambientais muito mais rigorosas. O movimento, já adotado por blocos como a União Europeia, foca em rastreabilidade, desmatamento zero e transparência da cadeia produtiva, redefinindo as regras para as exportações brasileiras.

Relatórios internacionais apontam uma lacuna entre discurso e prática. O Global Forests Report 2024 indica que, de 881 empresas, apenas 64 possuem ao menos uma cadeia com "desmatamento zero". O Forest 500/Global Canopy 2025 mostra que só 3% das 500 companhias mais influentes têm compromissos robustos e implementados.

Para José Loschi, CEO da SRX Holding’s, o endurecimento das regras pode beneficiar quem já investiu em sustentabilidade. “Essas mudanças criam um novo tipo de ‘passaporte’. Além da qualidade do produto, seu histórico ambiental também será analisado. Aquele que não estiver preparado corre o risco de ficar fora do jogo”, explica.

Os impactos devem ser sentidos nas exportações de soja, carne e milho. O Brasil movimentou mais de US$ 160 bilhões em exportações do agro no último ano, e parte significativa desse valor depende de mercados que agora ampliam as exigências. A adaptação, segundo Loschi, é uma oportunidade. “O produtor que prova sua conformidade ganha uma vantagem competitiva. Muitos países estão dispostos a pagar mais por produtos sustentáveis”, completa.

Nos próximos meses, a atenção se voltará para a rastreabilidade completa, a comprovação de origem sem desmatamento e a implementação de práticas ESG documentadas. Compradores também têm exigido políticas sociais claras, incluindo condições de trabalho regularizadas e registros auditáveis.

Loschi destaca que a preparação precisa ser imediata, especialmente para pequenos e médios produtores. “A organização se torna peça-chave para chegar com força em 2026. As empresas que ajudarem seus produtores a se adequar agora terão uma cadeia muito mais resiliente”, finaliza.