Europa: Menos rebanho e mais doenças, um cenário para o Brasil
Publicado em 17/12/2025 19h59

Europa: Menos rebanho e mais doenças, um cenário para o Brasil

Crises sanitárias e o encolhimento de rebanhos na União Europeia devem forçar o bloco a aumentar a importação de carne bovina e de aves do Brasil, apesar do avanço de medidas protecionistas.
Por: Redação

A União Europeia enfrenta um cenário de produção interna decrescente, o que tende a elevar a necessidade de importação de carne do Brasil nos próximos anos. Segundo o analista da Safras & Mercado, Iglesias, o bloco lida com um encolhimento contínuo de seu rebanho bovino e com os impactos recorrentes da influenza aviária, reduzindo a oferta local.

Essa conjuntura obriga a busca por fornecedores mais competitivos. “Hoje, o europeu precisa do produto brasileiro para se abastecer. Existe uma necessidade real de compra de carne do Brasil muito em função desse descompasso de produção que a Europa enfrenta”, avalia o analista.

Em países como Portugal, a escassez de animais para abate já impacta os preços ao consumidor. Na França, a situação é agravada por novos desafios sanitários. A dermatose nodular contagiosa (DNC), uma enfermidade viral, foi detectada pela primeira vez em uma fazenda, levando ao abate de animais. O Ministério da Agricultura francês já identificou 110 surtos da doença em 75 propriedades.

Na avicultura francesa, a gripe aviária segue como uma ameaça. Autoridades confirmaram um novo foco na região de Landes, principal polo produtor de patos do país. O avanço da doença limita ainda mais o abastecimento de carne de aves no mercado europeu.

Apesar da necessidade de compra, o ambiente comercial é de maior vigilância. O Parlamento Europeu aprovou um pacote de medidas que inclui novas salvaguardas comerciais ligadas ao acordo com o Mercosul. Aprovada por 431 votos a 161, a medida permite a suspensão de preferências tarifárias para produtos como carne bovina e de aves, caso se verifique prejuízo aos produtores locais.

Iglesias explica que a dificuldade de competição é um fator concreto. Custos ambientais, trabalhistas e sanitários tornam a produção de carne na Europa um processo caro. “A alegação do produtor europeu de que não consegue competir com o produto brasileiro é verdadeira. Produzir carne hoje na Europa é muito custoso, e competir com o Brasil se torna extremamente difícil”, detalha.

O desafio para a União Europeia será equilibrar a demanda interna com a proteção ao produtor local. Iglesias projeta que a necessidade de importação prevalecerá, com um aumento das compras de carne brasileira já a partir do próximo ano, mesmo em meio a discursos políticos mais duros.