IA no campo: tecnologia apoia, mas não supera o produtor
Publicado em 16/12/2025 11h02

IA no campo: tecnologia apoia, mas não supera o produtor

A inteligência artificial avança no agronegócio, mas a experiência humana, forjada no risco e no contexto do campo, segue como o elemento central para a tomada de decisão, avalia o consultor Welson Perli Pereira.
Por: Redação

A aplicação da inteligência artificial (IA) na agricultura tem gerado debates sobre o futuro da gestão no campo. Para Welson Perli Pereira, consultor e técnico agrícola, embora a tecnologia prometa ganhos de eficiência, ela não substitui o conhecimento prático do produtor. Ele acompanha há uma década o Grupo Tomate Brasil, uma comunidade colaborativa de produtores.

Ao longo de dez anos, o grupo acumulou um acervo com cerca de 169 mil mensagens, além de um vasto registro fotográfico de folhas, raízes e frutos. Segundo Pereira, este é o maior conjunto de dados práticos sobre a cultura do tomate no país. Ele argumenta que existe uma diferença fundamental entre dados e sabedoria.

Enquanto um sistema de IA pode processar bilhões de informações e responder a questões técnicas em segundos, a produção agrícola real é influenciada por fatores que vão além. Variáveis como contexto, clima, particularidades do território e, principalmente, o risco financeiro envolvido em cada decisão, são elementos que os algoritmos ainda não conseguem ponderar com a mesma profundidade que um ser humano.

O filtro da realidade

As interações diárias entre os produtores no grupo colaborativo carregam um peso que transcende a simples recomendação técnica. Elas refletem vivências reais, com erros e acertos cujas consequências impactam diretamente a renda das famílias. Esse fator, segundo o consultor, cria um filtro natural de qualidade da informação, baseado na necessidade de sobrevivência econômica.

Welson Perli Pereira também aponta para a existência de uma "inteligência emocional coletiva". Ela se manifesta nas decisões compartilhadas sobre manejo, comercialização e estratégias de produção. Esse conhecimento é construído em um ambiente de alta pressão, onde os agricultores lidam com múltiplas variáveis simultaneamente.

Um futuro híbrido

Na visão do consultor, o futuro da agricultura combinará tecnologia e experiência. A inteligência artificial atuará como uma ferramenta de apoio, capaz de organizar dados, agilizar análises e oferecer cenários. Contudo, a decisão final permanecerá com quem está no campo, sentindo o clima, o mercado e a realidade da lavoura.

A experiência humana, quando conectada em rede, forma um sistema vivo e dinâmico. Para Pereira, essa rede de conhecimento compartilhado, baseada em anos de prática e adaptação, é um recurso que nenhuma máquina, por mais avançada que seja, é capaz de substituir integralmente.