A produção de pescados no Paraná se consolidou como uma das cadeias agroindustriais de maior crescimento no estado. Em 2024, o Valor Bruto da Produção (VBP) do setor alcançou R$ 2,29 bilhões, um resultado 10,4% superior ao registrado em 2023. A informação consta no Boletim de Conjuntura Agropecuária, divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
O avanço foi liderado pela piscicultura em cativeiro, com a tilápia respondendo por mais de 80% do VBP do segmento. A espécie se firmou como a proteína de maior expansão no Paraná, com um crescimento médio nominal anual de 24% em seu VBP nos últimos 14 anos. O percentual é superior ao observado em outras importantes proteínas animais, como bovinos, suínos e frango.
A evolução da participação da tilápia na economia do agronegócio paranaense é notável. Em 2011, o VBP somado de bovinos de corte, frango, suínos e tilápia era de R$ 10,55 bilhões. Naquele ano, a contribuição da tilápia era de apenas 1%. Em 2024, esse valor conjunto saltou para R$ 48,4 bilhões, e a participação da tilápia quadruplicou, representando 4% do total.
Nos últimos dois anos, a expansão da atividade foi ainda mais expressiva. O VBP específico da tilápia passou de R$ 1,25 bilhão em 2022 para R$ 1,83 bilhão em 2024, um aumento de 46%. O desempenho contrasta com o de outras cadeias no mesmo período. Conforme os dados do Deral, o VBP da bovinocultura de corte recuou 6%, enquanto o da avicultura caiu 9%. Apenas a suinocultura apresentou avanço, com alta de 5%.
O boletim do Deral também contextualiza o debate nacional sobre a classificação da tilápia. A discussão gira em torno de sua definição como espécie exótica invasora. No Paraná, que detém o posto de maior produtor do país, a espécie já possui oficialmente essa classificação há mais de uma década.
Segundo o departamento, a medida foi adotada no estado com o objetivo de estabelecer diretrizes claras e assegurar o manejo sustentável da atividade. A regulamentação existente permite o desenvolvimento da cadeia produtiva com controle e monitoramento ambiental, buscando equilibrar a produção com a preservação dos ecossistemas locais.