As negociações no mercado spot de soja do Brasil ganharam força na primeira semana de dezembro. O movimento foi impulsionado pela necessidade de fechamento de cargas nos portos e por novas projeções de oferta e demanda, que resultaram na valorização dos prêmios de exportação e dos preços internos do grão.
Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a intensificação da procura por soja para completar navios nos terminais portuários foi um dos principais fatores para o aquecimento do mercado. A pressão logística aumentou a competitividade do produto brasileiro.
Paralelamente, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou suas estimativas para a safra 2024/25. O novo relatório apontou uma redução nos estoques de passagem em comparação com a projeção anterior, sinalizando uma oferta final mais ajustada. Essa variável contribuiu para aumentar a atratividade da soja nacional.
Com o ajuste, a Conab projetou que os embarques da safra 2024/25 devem atingir o volume recorde de 106,97 milhões de toneladas. O número representa um aumento de 0,3% em relação à estimativa divulgada anteriormente e consolida o protagonismo do Brasil no comércio global da oleaginosa.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, até o dia 5 de dezembro, 98,88% do volume total projetado pela Conab para a safra 2024/25 já havia sido embarcado. A fluidez e a antecipação das exportações ao longo do ciclo exerceram pressão altista sobre as cotações no mercado físico.
Pesquisadores do Cepea informam que o conjunto desses fatores deu sustentação para a valorização dos prêmios pagos pela soja brasileira nos portos. O movimento de alta nos preços se espalhou por diversas praças de negociação no interior do país, acompanhando o aquecimento da demanda externa.
A expectativa para os próximos dias é de um cenário de firmeza para as cotações, influenciado pela proximidade do encerramento do ciclo comercial e pela necessidade de finalizar contratos. O comportamento do mercado internacional e as condições logísticas nos portos seguirão como fatores determinantes para a movimentação dos preços.