Mercado do boi: férias coletivas alongam escalas para janeiro
Publicado em 11/12/2025 17h03

Mercado do boi: férias coletivas alongam escalas para janeiro

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Por: Redação

O mercado físico do boi gordo atravessa uma semana de ajustes estratégicos nas principais praças pecuárias do país. Nesta quarta-feira (11), a referência de preços em São Paulo apresentou recuo, movimento impulsionado diretamente pelo alongamento das escalas de abate das indústrias frigoríficas, que já miram o calendário de 2025.

Segundo a análise divulgada no informativo "Tem Boi na Linha", da Scot Consultoria, a cotação tanto do boi gordo comum quanto do "boi China" — animal jovem, com até 30 meses, destinado à exportação para o mercado asiático — registrou desvalorização de R$ 1,00 por arroba nas praças paulistas.

Escalas confortáveis ditam o ritmo

O fator determinante para essa pressão negativa sobre os preços reside na programação de abate dos frigoríficos. O levantamento aponta que parte significativa dos compradores já organizou suas linhas de produção para o início da segunda semana de janeiro.

DADO DE MERCADO: As escalas de abate em São Paulo atendem, em média, 11 dias.

Este cenário é reflexo direto das férias coletivas programadas por diversas unidades industriais, uma manobra comum neste período do ano para manutenção e ajuste de fluxo. Com as escalas preenchidas para um horizonte superior a dez dias, as indústrias reduzem a necessidade de compra imediata no mercado spot (à vista), retirando a pressão de compra e testando valores menores junto aos pecuaristas.

Ainda que as escalas sejam consideradas ajustadas para o período de fim de ano, a ausência de urgência na aquisição de matéria-prima permitiu que os frigoríficos exercessem pressão de baixa, resultando no recuo observado nas cotações.

Rio Grande do Sul: escoamento trava altas

No Sul do país, a dinâmica de preços obedece a outros fundamentos. O Rio Grande do Sul mantém um cenário de estabilidade nas cotações, mas sob um alerta comercial. De acordo com a consultoria, a oferta de animais terminados tem sido suficiente para suprir a demanda atual das indústrias locais.

O ponto de atenção está na ponta final da cadeia: o consumo. O estudo destaca que o "escoamento de carne segue lento". Quando a carne não gira com agilidade no atacado e no varejo, os frigoríficos evitam pagar mais pela arroba, mantendo os preços laterais. Essa lentidão limita alterações relevantes nas referências, criando um teto para possíveis valorizações mesmo em época de festas.

Firmeza no Norte

Em contrapartida ao cenário paulista e gaúcho, o estado do Pará apresenta um quadro de firmeza, embora também estável. A região lida com uma oferta enxuta de boiadas, característica que normalmente pressionaria os preços para cima.

No entanto, o equilíbrio se dá novamente pelas escalas. As indústrias paraenses, mesmo com poucos animais ofertados, encontram-se com "escalas confortáveis", o que anula a necessidade de ofertar valores acima da referência para preencher a programação de abate. O resultado é a manutenção dos preços atuais, sem vetores de alta ou baixa predominantes no curto prazo.

A análise da Scot Consultoria desenha, portanto, um panorama regional heterogêneo, onde a estratégia de compra das indústrias e o ritmo de consumo interno são os fiéis da balança para o fechamento dos preços nesta segunda quinzena de dezembro.