Disciplina e gestão ganham peso na recuperação rural
Publicado em 02/12/2025 02h02

Disciplina e gestão ganham peso na recuperação rural

A adoção consistente do hedge surge como disciplina indispensável.
Por: Leonardo Gottems

A travessia do agronegócio brasileiro depende menos de ampliar produção e mais de reorganizar os fundamentos que sustentam a atividade, segundo Vinícius Fonda, estrategista do agronegócio. O desafio central é econômico e envolve recompor o tripé formado por custo, preço e dívida, cuja tensão recente expôs fragilidades do sistema. A expansão apoiada em crédito abundante e margens altas perdeu sustentação quando os preços recuaram, os custos permaneceram elevados e os vencimentos se acumularam, comprimindo o fluxo de caixa. 

“A produtividade brasileira continua notável, mas a estrutura econômica que a sustenta está tensionada. Isso significa que a recuperação passa, inevitavelmente, pela reorganização do tripé que sustenta qualquer atividade rural: custo, preço e dívida”, comenta.

A adoção consistente do hedge surge como disciplina indispensável, já que operar sem proteção expõe o produtor à volatilidade global. Outro eixo da reversão envolve uma postura mais rígida de revendas, misturadoras e cooperativas na concessão de crédito, privilegiando carteiras menores e saudáveis, medida vista por executivos do setor como forma de evitar novos desequilíbrios. A eficiência operacional ganha centralidade, com domínio detalhado de custos, uso de tecnologia com propósito e maior racionalidade nas decisões financeiras, movimento apontado por economistas como marca do novo agro.

A reversão do ciclo exige ajustes duros, mas não impossíveis. Exige disciplina, gestão e racionalidade — não euforia. O agro brasileiro não está condenado; está em processo de reorganização. Se o setor agir agora, com lucidez e estratégia, atravessará o ciclo e emergirá mais sólido, mais técnico e mais competitivo do que nunca”, conclui ele.