Safra 25/26: La Niña pode favorecer, mas mercado limita euforia
Publicado em 28/11/2025 16h02

Safra 25/26: La Niña pode favorecer, mas mercado limita euforia

Relatório do Itaú BBA projeta para a safra 2025/26 um cenário de margens apertadas para grãos e pecuária, com oferta global confortável e a influência de um La Niña de baixa intensidade.
Por: Wisley Torales

A safra 2025/26 se desenha com um cenário de margens pressionadas para a maioria das culturas e atividades pecuárias no Brasil. A avaliação consta no relatório “Visão Agro | Atualização das perspectivas 2025/26”, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA em novembro de 2025. O documento aponta para uma oferta global confortável na maioria dos setores, o que limita o potencial de alta nos preços.

As projeções climáticas indicam a formação de um La Niña de baixa intensidade, com pico entre novembro e dezembro, o que tende a favorecer a safra de verão no Brasil. Contudo, o relatório alerta para a possibilidade de chuvas reduzidas no extremo sul do país. Para a Argentina, as perspectivas climáticas permanecem positivas.

Grãos com oferta elevada

Para a soja, a expectativa é de uma oferta sul-americana recorde, mantendo os estoques mundiais em níveis confortáveis e os preços pressionados. No milho, apesar da boa rentabilidade, o atraso no plantio da soja em algumas regiões, como Goiás e Minas Gerais, pode impactar a janela da segunda safra e a decisão de investimento do produtor.

O mercado de algodão deve seguir pressionado pela ampla oferta global e pela demanda limitada do setor têxtil. Já o arroz enfrenta um cenário crítico, com estoques de passagem elevados e preços em queda, o que resultou em uma projeção de margem negativa para o produtor gaúcho na safra 2025/26.

Pecuária em transição

Na pecuária de corte, 2026 marcará uma transição para um período de menor oferta de animais, o que pode fortalecer os preços do boi gordo. Aves e suínos, por outro lado, encerram 2025 com resultados positivos e margens fortalecidas, amparados por custos de produção mais baixos, embora a gestão de riscos sanitários e a volatilidade do mercado externo exijam atenção.

O relatório do Itaú BBA também analisa os mercados de café, laranja, açúcar, etanol e fertilizantes, indicando que a gestão de custos e a busca por eficiência serão determinantes para a rentabilidade do produtor no próximo ciclo.