Exportação de mel cresce 31% mesmo com tarifa dos EUA
Publicado em 24/11/2025 15h50

Exportação de mel cresce 31% mesmo com tarifa dos EUA

As exportações brasileiras de mel cresceram 31,2% em receita de janeiro a outubro de 2025, com os EUA absorvendo 85% do volume, apesar das tarifas impostas.
Por: Redação

As exportações brasileiras de mel in natura registraram um avanço significativo nos dez primeiros meses de 2025. Dados da plataforma Agrostat Brasil, analisados pelo Departamento de Economia Rural (Deral), apontam que o país exportou 30.651 toneladas, um volume 1,5% superior ao obtido em igual período de 2024.

A receita gerada com as vendas externas alcançou US$ 102,9 milhões, representando um crescimento de 31,2% na comparação anual. O desempenho foi impulsionado pela valorização do produto no mercado internacional. O preço médio nacional do mel exportado foi de US$ 3.358,71 por tonelada, um valor 29,2% superior à média registrada no mesmo período do ano anterior.

O Paraná consolidou sua posição no cenário nacional, ocupando o terceiro lugar no ranking de exportadores. O estado paranaense registrou uma receita de US$ 18,6 milhões com a venda de 5.571 toneladas, a um preço médio de US$ 3,35 por quilo. Minas Gerais liderou as vendas, seguido pelo Piauí. Santa Catarina e Ceará completaram as cinco primeiras posições.

Impacto das Tarifas no Mercado Norte-Americano

Os Estados Unidos mantiveram-se como o principal destino do mel brasileiro, absorvendo 85,4% do total exportado entre janeiro e outubro. O país norte-americano importou 26.137 toneladas, o que gerou uma receita de US$ 87,6 milhões para o Brasil.

O boletim do Deral recorda que, em 9 de julho de 2025, o governo dos EUA anunciou a imposição de uma tarifa de 50% sobre diversos produtos brasileiros, incluindo o mel. A medida entrou em vigor em 6 de agosto e seus efeitos foram observados nos meses seguintes.

Em agosto, houve uma antecipação de compras por parte dos importadores americanos. O volume adquirido cresceu 25% e a receita, 76,1% em relação a agosto de 2024. O impacto da tarifa tornou-se mais claro em setembro, quando o volume importado pelos EUA caiu 19%. Apesar da queda, a receita para o Brasil foi 11,4% maior, resultado de um aumento de 37,4% no preço médio da tonelada.

Em outubro, o efeito da sobretaxa persistiu, mas de forma mais branda. O volume exportado para os EUA foi 1,1% menor que em outubro de 2024, enquanto a receita foi 20,3% superior. A análise do Deral aponta que a tarifa norte-americana de fato reduziu o volume embarcado, mas a simultânea e intensa valorização do preço do mel brasileiro exportado conseguiu, até outubro, mitigar a perda de receita cambial para o setor.