As exportações brasileiras de mel in natura registraram um avanço significativo nos dez primeiros meses de 2025. Dados da plataforma Agrostat Brasil, analisados pelo Departamento de Economia Rural (Deral), apontam que o país exportou 30.651 toneladas, um volume 1,5% superior ao obtido em igual período de 2024.
A receita gerada com as vendas externas alcançou US$ 102,9 milhões, representando um crescimento de 31,2% na comparação anual. O desempenho foi impulsionado pela valorização do produto no mercado internacional. O preço médio nacional do mel exportado foi de US$ 3.358,71 por tonelada, um valor 29,2% superior à média registrada no mesmo período do ano anterior.
O Paraná consolidou sua posição no cenário nacional, ocupando o terceiro lugar no ranking de exportadores. O estado paranaense registrou uma receita de US$ 18,6 milhões com a venda de 5.571 toneladas, a um preço médio de US$ 3,35 por quilo. Minas Gerais liderou as vendas, seguido pelo Piauí. Santa Catarina e Ceará completaram as cinco primeiras posições.
Os Estados Unidos mantiveram-se como o principal destino do mel brasileiro, absorvendo 85,4% do total exportado entre janeiro e outubro. O país norte-americano importou 26.137 toneladas, o que gerou uma receita de US$ 87,6 milhões para o Brasil.
O boletim do Deral recorda que, em 9 de julho de 2025, o governo dos EUA anunciou a imposição de uma tarifa de 50% sobre diversos produtos brasileiros, incluindo o mel. A medida entrou em vigor em 6 de agosto e seus efeitos foram observados nos meses seguintes.
Em agosto, houve uma antecipação de compras por parte dos importadores americanos. O volume adquirido cresceu 25% e a receita, 76,1% em relação a agosto de 2024. O impacto da tarifa tornou-se mais claro em setembro, quando o volume importado pelos EUA caiu 19%. Apesar da queda, a receita para o Brasil foi 11,4% maior, resultado de um aumento de 37,4% no preço médio da tonelada.
Em outubro, o efeito da sobretaxa persistiu, mas de forma mais branda. O volume exportado para os EUA foi 1,1% menor que em outubro de 2024, enquanto a receita foi 20,3% superior. A análise do Deral aponta que a tarifa norte-americana de fato reduziu o volume embarcado, mas a simultânea e intensa valorização do preço do mel brasileiro exportado conseguiu, até outubro, mitigar a perda de receita cambial para o setor.