As negociações no mercado brasileiro de feijão ocorreram de forma pontual na última semana, com um ritmo mais lento de negócios. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a liquidez reduzida foi parcialmente influenciada pelo feriado do Dia da Consciência Negra, observado em diversas praças na quinta-feira, 20 de novembro.
A dinâmica de preços apresentou comportamentos distintos, a depender do tipo e da qualidade do grão negociado. Para o feijão carioca com nota acima de 9,0, houve uma pressão negativa sobre os valores. O avanço da colheita no sudoeste do estado de São Paulo aumentou a disponibilidade de lotes de melhor qualidade no mercado.
Essa maior oferta fez com que os preços recuassem. Vendedores de outras regiões produtoras precisaram ajustar seus valores para baixo a fim de manter a competitividade e garantir a comercialização de seus estoques.
Em contrapartida, o feijão carioca com notas entre 8 e 8,5 seguiu uma trajetória de valorização. O aumento do interesse por parte dos compradores, combinado com uma oferta mais restrita para este padrão de qualidade, impulsionou os preços médios na maioria das regiões acompanhadas pelo Cepea.
Para o feijão preto, o cenário foi de desvalorização. A necessidade de fazer caixa por parte dos produtores e a urgência em liberar espaço nos armazéns para a entrada da nova safra pressionaram as cotações para baixo, com maior intensidade nas regiões do Sul do país.
Enquanto o mercado lida com a comercialização da safra atual, o plantio do novo ciclo avança. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgados em 17 de novembro, indicam que 39,5% da área projetada para a primeira safra de feijão 2025/26 já havia sido semeada no Brasil.